Revista Acontece Sul

Soluções de mobilidade no Brasil e na China

Por Arquitetura - Thaïs Geremia em Arquitetura - quinta, 08 de agosto de 2013

Seja no Brasil ou em qualquer outro pais, as cidades cresceram e o número de carros também. Sucede que as ruas e estradas não aumentaram na mesma proporção e falta espaço para tanto carro. Essa situação perversa atrapalha a mobilidade urbana e produz a formação de imensos congestionamentos que flagelam as populações das megacidades.
Muitas cidades, mesmo aquelas que alcançaram certo grau de desenvolvimento sustentável implantando sistemas de transporte urbano e soluções de mobilidade inteligente, não obtiveram todo o resultado esperado, por conta do insucesso diante do desafio mais importante: diminuir o uso do automóvel. Portando, há que concentrar esforços para transformar a cultura do transporte individual.
Aqui no Brasil, um exemplo notável é o da capital paranaense. Nos anos 70`, o então prefeito de Curitiba, urbanista Jaime Lerner, reinventou o uso do ônibus como meio de transporte público urbano. Batizado de BRT (Bus Rapid Transit), o novo sistema foi executado de maneira integrada, montando uma rede pela cidade que suportou bem a demanda pelas décadas seguintes. O BRT foi replicado em diversas cidades do Brasil e no exterior.
Na China moram mais pessoas do que qualquer outro lugar do planeta. Lá eles se movem em megacidades a uma taxa sem precedentes. Gerir um plano de transporte para um número tão colossal de pessoas - muitas das quais já possuem, ou pretendem adquirir automóveis, produzindo imensos congestionamentos de tráfego e poluição- é uma mega tarefa de tipo e tamanho inusitados.
Agora, dê uma olhada nesta incrível solução chinesa de transporte público!
Uma rede de ônibus 3D (assim batizado) que se movimenta por cima dos carros, capaz de parar sem interromper o fluxo de tráfego e de deslizar por cima do congestionamento.
Os ônibus têm 6m de largura e 4,5m de altura, de modo que podem abranger duas faixas de tráfego e ainda caber na maioria de viadutos existentes. Carros de até 2m de altura podem trafegar por baixo deles.
Muito mais rápido e mais barato para construir do que metrô ou monotrilho, o sistema simplesmente requer pequenas modificações nas estradas já existentes, e a criação de uma rede de coletivos com estações elevadas para embarque e desembarque. Onde não há espaço para a construção de uma parada elevada, os passageiros podem entrar e sair usando as escadas do veículo.
As estradas “modo” podem incluir trilhos embutidos ou uma simples linha colorida pintada para que os ônibus possam ser programados para seguir de forma autônoma, já que rolam em pneus regulares.
Para sua propulsão, será utilizada uma combinação de eletricidade com energia solar, chegando a uma velocidade de 60km/h. Cada ônibus terá capacidade para 1.200 pessoas, o que soa como um número ridiculamente absurdo, porém, convém lembrar que a China já tem 120 cidades com mais de um milhão de habitantes - e em 2030 terá o dobro disso. Você não pode pensar em números normais quando se trata da China.
As saídas de emergência serão tratadas com corrediças infláveis, do mesmo tipo daquelas encontrados em aviões comerciais, o que é uma ideia divertida - e os ônibus estarão programados para estacionarem em uma estação quando eles não estão em operação, fazendo com que não ocorram mais perturbações ao tráfego do que um túnel seria.
A ideia tem o objetivo combater o efeito estufa, a poluição e minimizar o consumo de energia. O projeto também atende a necessidade chinesa que é de abrandar o trânsito, que por sinal está cada vez mais caótico.

Comentários