Revista Acontece Sul

ARQUITETURA

Por Arquitetura - Thaïs Geremia em Arquitetura - sexta, 08 de maio de 2015


Bambu - Sustentabilidade milenar

Quando falamos em um dos temas da moda em arquitetura, a sustentabilidade, temos a tendência a relacionar o assunto aos dias de hoje e a algo contemporâneo. Todavia, o que muitas vezes esquecemos é que já existiam técnicas antigas que já colocavam em prática grande parte dos conceitos pregados hoje como “modernos”.

É o caso do Bambu, planta da família das gramíneas, subfamília bambusoideae, utilizada em larga escala em algumas construções no passado.

Os casos mais antigos de sua utilização na Arquitetura remontam à Ásia, na construção de templos japoneses, chineses e indianos, cujo símbolo maior é o Taj Mahal. Na China, temos ainda hoje enormes vãos de pontes tencionados por cordas desta planta. Em Hong Kong, não existem andaimes de aço ou alumínio, é tudo em Bambu simplesmente presos um ao outro por de tiras de nylon. São armados pelos “Taap Pang” como são conhecidos os montadores destes andaimes por lá.

Mas um exemplo bastante recente da utilização desta técnica é o Kontum Indochine Café, localizado no Vietnam, Sudeste Asiático. Projetado pelo escritório vietnamita Vo Trong Nghia Architects, como parte de um restaurante ao ar livre às margens do Dak Bla River, o conceito deste Café é fascinante. Quinze (15) cones de Bambu invertidos, inspirados nas tradicionais cestas de pesca Vietnamitas, dão suporte a uma cobertura do mesmo material em formato de borboleta gerando uma área coberta de aproximadamente 550,00 m2. Cada cone possui 6,00m de altura, 6,00m de diâmetro no topo e 1,6m na base sendo compostos por 400 varas da planta. São todos ancorados em uma fundação de concreto e aço abaixo do nível do solo. 

De acordo com o sócio fundador do escritório de arquitetura, Vo Trong Nghia, a decisão pela utilização do Bambu se deu pela busca, no projeto, de uma identidade com a cultura local. Relata que um dos grandes desafios em trabalhar com Bambu em grandes estruturas é saber respeitar suas características mecânicas como sua densidade e rigidez. Também lembra que alguns cuidados devem ser tomados antes da construção tais como embeber todo o Bambu em lama com muita fumaça para prevenir a atração de insetos.  Ainda como curiosidade, conta que a primeira vez em que teve contato com Bambu em sua vida foi auxiliando sua família a fazer talheres desta planta e que, desta forma, a mesma ficou impregnada “em seu DNA”.

Considerando as preocupações ambientais atuais e os tão falados conceitos de sustentabilidade onde se fala muito em utilizar materiais próximos à região das construções, com baixo custo, não poluentes e biodegradáveis, vemos que a técnica utilizada pelo arquiteto, no Indochine Café, atendeu a todos estes requisitos com louvor. 

Então você já sabe, a próxima vez em que estiver em “uma roda” onde começarem a complicar a conversa com conceitos de sustentabilidade na Arquitetura é só perguntar; Vocês já pensaram em utilizar Gramíneas? E ver qual é a resposta... 

 

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