Revista Acontece Sul

SAÚDE - ESTILO LIFE

em Beleza & Saúde - quarta, 05 de agosto de 2015


Papinha industrializada é mais doce e tem menos nutrientes que a feita em casa

 

Elas parecem saudáveis: não têm conservantes nem adição de açúcar e são vendidas em sabores que poderiam ter saído da cozinha mais próxima, como espaguete à bolonhesa e carne com legumes. Mas, segundo um estudo publicado no “British Medical Journal”, as papinhas industrializadas têm menos nutrientes e menor diversidade de sabor e de textura do que as feitas em casa. 

Os pesquisadores da Universidade de Glasgow analisaram 479 alimentos industrializados para bebês feitos entre outubro de 2010 e fevereiro de 2011 no Reino Unido.

Do total, 364 eram papinhas e mais da metade delas, 65%, eram doces. O trabalho concluiu ainda que a papinha pronta fornece, em média, metade da energia e das proteínas em relação à caseira (veja receitas de papinhas saudáveis nas páginas 16 e 17).

Segundo os autores, bebês têm uma preferência inata por doces. E a exposição repetida pode influenciar as preferências futuras.

No Brasil, não há uma análise semelhante recente, segundo a pediatra Roseli Sarni, da diretoria da Sociedade Brasileira de Pediatria. Ela conta que as papinhas mudaram de cinco anos para cá, atendendo a pedidos da entidade médica. 

“Tiraram açúcar, adicionaram leite em algumas delas. Mas não consideramos que seja um alimento completo.”

O problema, diz ela, é que as papinhas salgadas quase sempre excluem algum grupo de alimento, quando o bebê deveria comer de tudo.

Para a nutricionista Carolina Cabral da Costa Silva, outro porém são os ingredientes em excesso. As de fruta não têm só fruta.”Elas sempre têm um amido e suco de maçã, para adoçar”, afirma Carolina, uma das criadoras do blog Fechando o Zíper. 

“Já as salgadas têm mais de um alimento do mesmo grupo (como batata e macarrão). A criança não aprende a reconhecer sabores.”

Pelo mesmo motivo, a nutricionista Cláudia Lobo, autora de “Comida de Criança” (MG Editores, 248 págs., R$ 69,21), recomenda que as papinhas caseiras tenham pedacinhos e sejam servidas com os alimentos separados. “Se há maior variedade de sabores, a criança vai crescer gostando de mais alimentos.”

A gerente-executiva de Marketing de Nutrição Infantil da Nestlé, Ionah Kochen, afirma que não há contraindicação quanto à ingestão diária das papinhas. Segundo ela, de 2005 a 2012, a marca fez uma redução de até 56% de sal nos produtos.

 

 

Feita em casa

Amanda Jardim Alves, 1 ano, só come papinha industrializada aos fins de semana. Mas se dependesse dela... “Ela gosta de todas. Gosta mais do que da feita em casa”, diz a mãe, a auxiliar administrativa Juliana Jardim, 29. Quando Amanda era mais nova, Juliana cozinhava os alimentos uma vez por semana e congelava. “Fazia legumes, verduras e carboidratos separados e combinava em três, quatro papinhas.”

Hoje, a menina entrou para o cardápio da família. E é nessa hora que o cuidado deve ser redobrado, diz Roseli Sarni. O maior risco, diz, é em relação ao sal - ela recomenda não adicioná-lo até os 12 meses.

Já de acordo com o pediatra Ary Lopes Cardoso, nutrólogo do Instituto da Criança do HC, um pouco de sal não faz mal. “A criança tem que comer comida gostosa.” Para ele, o lado bom da papinha industrializada é que os aspectos nutricionais são garantidos. “A caseira depende da mãe seguir recomendações. Pode dar trabalho cozinhar papinha saudável, mas, se ela conseguir, é melhor.”

 

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