Revista Acontece Sul

Um quinto dos brasileiros consome doces em excesso

Por Sem colunista em Beleza & Saúde - tera, 10 de maio de 2016

                                                                                                         ESTILO LIFE

 

Um em cada cinco brasileiros, ou 20,1% da população, consome doces cinco ou mais vezes durante a semana, frequência considerada alta por autoridades de saúde. Entre os jovens de 18 a 24 anos, o índice é ainda maior: 28,5%.
Os dados, divulgados na quinta-feira (7/04) pelo Ministério da Saúde, são da pesquisa Vigitel 2015, que monitora hábitos e fatores de risco à saúde. A pesquisa, feita todos os anos por inquérito telefônico, ouviu nesta edição 54 mil pessoas acima de 18 anos residentes nas capitais do país.
Além dos doces, também é expressivo o consumo regular de refrigerantes no Brasil. Ao todo, 19% dos brasileiros bebe refrigerante ou suco artificial todos os dias, produtos com alta quantidade de açúcar.
Para o Ministério da Saúde, os hábitos preocupam por elevar o risco de doenças crônicas, sobretudo a diabetes, cuja taxa de prevalência vem crescendo na população.
Dados de relatório global da Organização Mundial de Saúde, divulgados na quarta-feira (6/04), mostram que o número de pessoas com diabetes no mundo quadruplicou entre os anos de 1980 e 2014 – passou de 108 milhões para 422 milhões de pessoas.
No Brasil, 7,4% dos entrevistados na Vigitel 2015 afirmam ter diagnóstico médico de diabetes. Em 2006, esse percentual era de 5,5%.
“Aí entra o risco: se a pessoa consome desde cedo bebidas doces, ao mesmo tempo em que reduz o consumo de hortaliças e aumenta o consumo de alimentos processados, isso aumenta a predisposição a diabetes”, diz Fátima Marinho, diretora do departamento de vigilância de doenças crônicas do Ministério da Saúde. Ela elenca o sobrepeso, obesidade e hipertensão como alguns dos principais fatores de risco para doença.
Entre as capitais, Rio de Janeiro e Porto Alegre aparecem com os maiores índices de prevalência de diabetes, com diagnóstico presente em 8,8% e 8,7% da população, respectivamente. Segundo Marinho, os índices podem indicar tanto uma maior frequência da doença quanto maior acesso aos serviços de saúde.

‘Pé diabético’

O diabetes ocorre quando o pâncreas não produz insulina (hormônio que regula o nível de açúcar no sangue) o suficiente ou quando o corpo não consegue usar a insulina que produz. Medicamentos, controle alimentar e prática frequente de atividades físicas são indicados para evitar complicações da doença.
Uma das mais frequentes é o desenvolvimento de feridas em áreas machucadas ou infeccionadas nos pés – o chamado “pé diabético”, segundo o Ministério da Saúde, que lançou um manual direcionado a profissionais de saúde com orientações de como identificar e tratar o problema. O objetivo é tentar amenizar o sofrimento dos pacientes e diminuir os índices de internações por este motivo na rede de saúde. Cerca de 20% das internações por diabetes no país ocorrem devido a lesões nos membros inferiores, de acordo com o ministério.
O documento orienta cuidados como inspeção diária nos pés à procura de feridas, preferência por sapatos leves e macios e alerta para sinais de “dormência” no local, além de tratamento imediato de qualquer ferimento. “Sem uma ação rápida, a ferida pode ter complicações e levar à amputação. É fundamental que a população tenha essa orientação (de como prevenir o problema)”, afirma. 

Número de diabéticos chega a 400 milhões no mundo

DE SÃO PAULO

 O número de adultos com diabetes quadruplicou em todo o mundo em menos de quatro décadas, chegando a 422 milhões de casos. Um estudo da Organização Mundial de Saúde publicado na quarta-feira (6/04) mostra que a situação está ficando especialmente grave nos países mais pobres.
Em um dos maiores estudos sobre diabetes feitos até hoje, os pesquisadores concluíram que o envelhecimento populacional e o aumento dos níveis mundiais de obesidade fizeram com que a doença se tornasse “uma questão central para a saúde pública global”.
O diabetes tipo 2 é uma condição de longo prazo caracterizada por uma resistência à insulina. Os pacientes podem lidar com o problema por meio de medicação e controle alimentar, mas a doença muitas vezes persiste por toda a vida e está entre as principais causas de cegueira, insuficiência renal, ataques cardíacos, acidente vascular cerebral e amputações de membros inferiores.
“A obesidade é o fator de risco mais importante para o diabetes tipo 2 e nossas tentativas de controlar suas taxas crescentes têm sido mal sucedidas”, afirma o pesquisador Majid Ezzati, do College de Londres, que liderou a pesquisa da OMS.
Publicado na revista científica Lancet um dia antes do Dia Mundial da Saúde das Nações Unidas, na quinta-feira (7/04), o estudo utilizou dados de 4,4 milhões de adultos em diferentes regiões do mundo para estimar a prevalência de diabetes em 200 países.
Constatou-se que entre 1980 e 2014, a doença tornou-se mais comum entre os homens do que entre as mulheres, e as taxas de diabetes aumentaram significativamente em países de renda per capita baixa ou média incluindo China, Índia, Indonésia, Paquistão, Egito e México.
Margaret Chan, diretora-geral da OMS, disse que os resultados mostraram a necessidade de combater urgentemente dietas e hábitos de vida pouco saudáveis.
“Se quisermos fazer qualquer progresso para deter o aumento da diabetes, precisamos repensar nossa vida diária: comer de forma saudável, ser fisicamente ativo e evitar o ganho excessivo de peso”, disse em entrevista feita na sede da OMS, em Genebra.
“Mesmo nas regiões mais pobres, os governos devem assegurar que as pessoas possam ter acesso a um estilo de vida saudável e que os sistemas de saúde sejam capazes de diagnosticar e tratar os diabéticos”, disse Chan.
O estudo constatou que o noroeste da Europa tem os menores índices de diabetes para ambos os sexos, com prevalência ajustada por idade inferior a 4% entre as mulheres e em torno de 5 a 6% entre os homens na Suíça, Áustria, Dinamarca, Bélgica e Holanda.
Nenhum país viu qualquer diminuição significativa na prevalência de diabetes nos últimos anos, segundo o estudo. O aumento mais acentuado se deu nas ilhas do Pacífico seguidas pelo Oriente Médio e Norte da África, em países como Egito, Jordânia e Arábia Saudita.
Os dados também mostraram que, em 2014, metade da população mundial de adultos diabéticos viviam em apenas cinco países: China, Índia, Estados Unidos Brasil e Indonésia. As taxas de diabete masculina mais que dobraram na Índia e na China entre 1980 e 2014.

 

 

 

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