Revista Acontece Sul

MENOS FOCO NO CARRO E MAIS NAS FUNCIONALIDADES

Por Setor Automotivo - José Carlos Secco em Carros & Cia - sexta, 10 de junho de 2016

O advento da Indústria 4.0 vai acelerar algo que já vem acontecendo (inconscientemente) entre consumidores: o carro perde sua posição de destaque e apelo visual, principalmente. O usuário quer cada vez mais serviços e funcionalidades.
As montadoras (e também os clientes) já estão atentas a esta mudança e procuram mudar seus projetos desde a concepção para oferecer o que o cliente vai querer e dar importância. E isso vai transformar o veículo do futuro.
Em recente evento, o diretor-geral da Porsche Consulting no Brasil, RüdigerLeutz, disse que foco do carro vai diminuir e o foco será nos serviços. Isto significa que o consumidor está ficando mais exigente e a sua demanda está mudando. Ele espera cada vez mais de um produto ou serviço. Será que é por isso que um veículo como o Nova Ka fez tanto sucesso? Por oferecer, entre outras coisas, desde o modelo básico a conectividade que todos desejam e ‘precisam’ atualmente?
O desenvolvimento dos serviços - comunicação entre veículos, carros autônomos, avenidas que se comunicam com o veículo e outras tecnologias -, transformarão a nossa relação com o automóvel. Para o bem e para o mal. O veículo passará a ser mais um “prestador de serviços” do que o tradicional “objeto de desejo”.
A nossa relação com o veículo passará a ser muito mais racional do que emocional (lentamente isto já ocorre). Claro que o apelo visual continuará sendo forte (principalmente para nós brasileiros), mas perde continuamente o seu peso na tomada de decisão. Também, os diferentes modelos estão cada vez mais parecidos...
A realidade é que, por diferentes motivos, desde a crise econômica mundial que faz com que o poder aquisitivo caia, até as restrições ao seu uso, passando pela maior consciência com a preservação ambiental e sustentabilidade, o carro vem perdendo espaço. Estamos mais atentos a vários outros “itens de consumo” do que ao carro propriamente dito, como era antigamente.
O que você quer do seu futuro automóvel? Esta será uma pergunta cuja resposta se transformará rapidamente nos próximos anos. Mais do que isto, dará lugar a outras indagações que passarão a serem feitas antes: para que mesmo eu preciso de um automóvel próprio? Não posso compartilhar? Tenho outras opções? Ele me mantém conectado? Todos os serviços de suporte pós-vendas vêm incluídos? Vale à pena? O que mais além de me levar de um ponto ao outro ele oferece? 
É claro e certo que o automóvel não vai deixar de existir. Dependemos dele. Simplesmente vai ser diferente, bem diferente, porque a nossa relação com ele vem mudando nos últimos anos. E vai mudar muito mais. Basta ver que as campanhas publicitárias já visam outros aspectos e destacam como diferenciais itens há pouco tempo inimagináveis, como a conectividade do próprio Ford Ka. Passa a valer “é mais importante o conteúdo do que o visual”!

 

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