Revista Acontece Sul

A maior das Cavalgadas

Por Cavalos - Deolir Dall'Onder em Cavalos - segunda, 07 de dezembro de 2015

Em 23 de abril de 1925, o professor suíço Aimê Tschoffelly, na época com 29 anos, inicia a emblemática e legendária cavalgada de 21.500 km de Buenos Aires a Nova York.  Considerada até hoje a maior das cavalgadas. O professor Aimê procurou o criador de cavalos crioulos Don Emilio Solanet, proprietário da estância El Cardal, e solicitou dois cavalos. Quinze cavalos foram selecionados e colocados à disposição e os escolhidos por Aimê foram o gateado Gato de 15 anos, de boa paleta, cabeça típica, medindo 1,47, e o picasso oveiro Mancha, de 14 anos com 1,50 de cernelha, de cabeça pesada, forte e musculoso, um tipo clássico. Desafiando a incredulidade de todos ele partiu. Durante três anos e meio o valente professor e suas duas montarias enfrentaram de tudo o que se possa imaginar, as vezes sem ter o que comer ou água para beber. Atravessaram a Cordilheira dos Andes, transpuseram pântanos como os de Darien (uma região de florestas praticamente impenetráveis no estreito istmo que liga a América do Sul a Central), entre a Colômbia e o Panamá, considerada como uma das regiões mais úmidas do mundo. O terrível território deserto de “Mata Caballos” entre o Peru e o Equador com 160 km de areias escaldantes com temperaturas de 52 graus centígrados. O desfiladeiro de Ticlio, no Peru, a uma altitude acima de 4800m com uma variação de temperatura entre 15 graus negativos a 40 graus positivos, num único dia.

Cabe salientar que Aimê montou em todo o percurso um lombilho Paysandú uruguaio com pelego tipicamente gaúcho, com o qual arrumava a cama, cobrindo-se com um poncho impermeável, ao velho estilo campeiro, pois não levava barraca, muito pesadas à época.

Chegou no dia 21 de setembro de 1928, após um percurso que durou três anos, quatro meses e seis dias.  No dia seguinte o jornal La Nacion noticiava a chegada de Aimê, Mancha e Gato na quinta Avenida em Nova York, onde trotaram alegremente, sendo recebidos pelo Presidente dos Estados Unidos Alvin Coolidge. Ao concluir, o raid Mancha estava se aproximando dos 18 anos, e Gato, dos 19 anos. Eles foram examinados pelo Cel.  da arma de Cavalaria R.M. Browne, famoso hipólogo e juiz de exposições, que afirmou ser o cavalo Mancha um dos melhores cavalos de conformação já visto por ele.  E o Gal. Croby, inspetor geral da Cavalaria norte-americana, atestou a façanha dos dois. Quando o Prof. Aimê deixou expresso seu último desejo (“ser enterrado na Argentina, onde tenho meus verdadeiros amigos”), estava se referindo aos crioulos da estância El Cardal: Gato e Mancha. Seu último desejo foi atendido e seu corpo repousa em terras Argentinas. Mais precisamente na estância El cardal nos pagos de Aycucho, província de B. Aires. Aonde também repousam Gato e Mancha.

Esses cavalos podem ser considerados ícones da raça, não ganharam nenhuma exposição de morfologia ou função, mas realizaram uma façanha extraordinária que até hoje não foi igualada. Gato morreu em 1944, aos 35 anos, e Mancha em 1947, aos 37 anos. A eles nosso respeito e nossa homenagem.

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