Revista Acontece Sul

As Deputadas Caxienses

Por Editor Chefe e produtor do Caderno Carros & Cia - Paulo Rodrigues em Cidade - segunda, 07 de fevereiro de 2011

Maria Helena Sartori
Maria Helena Sartori é professora aposentada da rede estadual de ensino. Com formação em Filosofia e pós graduação em história da América Latina, conheceu José Ivo Sartori quando ambos atuavam no movimento estudantil do DCE na UCS, durante um dos períodos mais conturbados da história brasileira: a ditadura militar. O envolvimento com as questões da educação e as atividades políticas sempre estiveram presentes. Maria Helena sempre esteve no mesmo campo político, militando no PMDB, defendendo a igualdade de oportunidades e o fortalecimento da democracia. Em 2002 disputou sua primeira eleição e obteve mais de 26 mil votos. Iniciou como suplente em 2003 para mais tarde em 2005 tornar-se titular do mandato na Assembleia Legislativa.
Coordenou trabalhos importantes como a Subcomissão do Ensino Superior, que sugeriu alternativas para a ampliação de vagas nas universidades, e a Comissão Especial de Políticas Públicas para a Juventude. São de autoria da deputada Maria Helena Sartori as Leis 12.336, que objetiva coibir a adulteração de combustíveis mediante a cassação do registro de ICMS dos comerciantes fraudadores, e a Lei 12.115 (Lei das Capoeiras), que beneficia os agricultores gaúchos através do melhor aproveitamento das terras até então impedidas de produzir pela presença de capoeiras.
Em 2005, a deputada foi indicada para presidir a Comissão de Finanças, Planejamento, Fiscalização e Controle. Em 2006, foi escolhida pelo Governador Rigotto para ser a sua Líder de Governo na Assembleia Legislativa, sendo a primeira mulher a exercer a liderança do governo em mais de 170 anos de história do parlamento. Na eleição de 2006, Maria Helena fez quase 30 mil votos, mas eles ainda não foram suficientes. Desde então, passou a se dedicar às atividades de primeira dama de Caxias do Sul, atuando na área social. Diversos projetos foram desenvolvidos, como o programa de combate ao câncer de mama (VIGIMAMA); o Banco de Alimentos e as Cozinhas Comunitárias, a Educação Infantil, o Banco do Vestuário e mais recentemente o Programa Bebê tem Hora Certa, de redução da gravidez na adolescência.
Nas eleições deste ano, pela terceira vez consecutiva Maria Helena Sartori foi a mulher mais votada do PMDB gaúcho nas eleições proporcionais, quando conquistou cerca de 39 mil votos e foi reconduzida para a Assembléia Legislativa. Por decisão da bancada do PMDB, a deputada irá novamente presidir a Comissão de Finanças. É a vice presidente do diretório estadual do PMDB, ao lado do novo presidente Ibsen Pinheiro.
Sobre o momento político atual
“Muitos países do mundo já viveram a experiência de mulheres na presidência, inclusive aqui na América Latina, Argentina e Chile. A expectativa que envolve o fato de uma mulher ser presidente da república tanto pode ser uma alavanca para mudanças estruturais como, a reforma política, reforma tributária, o novo pacto federativo, como pode ser um forte impedimento para que isso aconteça.Vai depender da firmeza e determinação com que ela vai governar, o respaldo no Congresso aparentemente ela já tem. No estado já tivemos governadora, porém a novidade a nível feminino é que hoje temos na Assembleia Legislativa o maior número (8) de mulheres eleitas até hoje. É um avanço muito significativo.
Revista Acontece: Qual a maior preocupação no Parlamento?
Maria Helena Sartori: O que for bom para o Rio Grande, terá o nosso apoio. Como o PMDB foi colocado na oposição ao Governo do Estado, devemos cumprir esse papel com muita responsabilidade, fiscalizando e cobrando as promessas de campanha. E pretendemos fazer de nosso mandato uma bandeira de luta em favor das pessoas que mais precisam, defendendo o acesso de todos a uma saúde melhor, à educação, segurança, habitação, cultura, esporte e lazer. Estaremos presidindo novamente a Comissão de Finanças, Planejamento, Fiscalização e Controle. Queremos trazer os prefeitos e os Coredes para as discussões acerca do orçamento do Estado com o objetivo de otimizar a alocação dos recursos e ampliar a fiscalização.
Acontece: Como você vê o ano de 2011 politicamente?
Maria Helena: É um ano de início de novos mandatos, tanto estadual como nacionalmente. Entendo que há um amadurecimento político no Brasil. As pessoas estão mais conscientes e exigentes, o que é um fator positivo. A tônica da ética e da moralidade na política cada vez ganha mais ênfase, sendo um valor que precisa ser reafirmado a todo momento. Mas gostaríamos que também fosse o ano da retomada de reformas essenciais para o desenvolvimento do nosso país, como a política e a tributária. E que possamos ter um novo Pacto Federativo e que os municípios tenham mais recursos no bolo tributário nacional, para poder atender as demandas que se apresentam e que a cada dia são maiores.
Acontece: O que fazer para motivar os eleitores que, em grande número, estão descontentes com a política e muitos políticos brasileiros?
Maria Helena: Dar bons exemplos é a melhor maneira de recuperar a imagem, hoje muito abalada, da classe política brasileira. Fazer o eleitor compreender que ele precisa escolher bem e convidar mais pessoas a militarem em algum partido. E escolher bem e usar a arma do voto para eliminar os maus políticos.
Acontece: O que espera da Presidente Dilma?
Maria Helena: Em sintonia com a comunidade caxiense, fizemos nossa opção pelo candidato José Serra, que venceu o 2º turno em Caxias do Sul por mais de 50 mil votos de diferença. Mas agora a campanha terminou e cabe a nós torcer para que a presidente Dilma faça um bom governo, porque o Brasil está muito acima de nossas diferenças ou nossas eventuais divergências. E especificamente do governo Dilma, esperamos que consiga manter as conquistas obtidas pelos últimos governos, principalmente nossa estabilidade econômica e a inflação sob controle. Os cenários que estão sendo apontados preocupam, porque os preços estão subindo e os gastos do governo federal extrapolaram todos os limites. E que seja dada muita ênfase e prioridade no combate à pobreza, e que os recursos federais cheguem em maior quantidade aos municípios.
 
Acontece: O que espera do Governador Tarso?
Maria Helena: Nós vamos ser oposição ao governo Tarso, porque as urnas nos colocaram nessa condição. Mas vamos fazer uma oposição responsável, equilibrada e ficar sempre ao lado dos interesses do Rio Grande. Por isso, o que espero é que ele realmente cumpra aquilo que prometeu na campanha e consiga também mais atenção do governo federal e mais recursos para os municípios.
 
Acontece: Se o partido assim definir, pode ser candidata à Prefeita?
Maria Helena: Minha postura é de cumprir os quatro anos do meu mandato de deputada. Não podemos colocar os nomes antes do projeto. Por isso, primeiro é preciso trabalhar a renovação desse projeto, procurar manter a base dos partidos para somente depois discutir os nomes.
Marisa Formolo Dalla Vecchia
 
Marisa Formolo tinha seis anos quando deu início às suas lutas. Na época, o objetivo era ter direito de frequentar uma escola, o que com esta idade não era permitido. Era década de 50 e ela morava na colônia, interior de Caxias do Sul. Seu pai havia construído com outros moradores uma escola no terreno da família. Com a autorização de uma inspetora de educação, a professora aceitou a presença de Marisa nas aulas, mesmo sem ela estar matriculada, e foi assim que Marisa conseguiu alfabetizar-se. Por ir atrás do que acreditava, aprendeu ainda criança que tinha de lutar por um sonho, por uma mudança de realidade.
Sua primeira experiência político-eleitoral foi em 1997, quando foi eleita vice-prefeita de Caxias do Sul. Durante a administração na prefeitura de Caxias, junto com Pepe Vargas, Marisa atuou como secretária Geral de Governo, de Educação, de Segurança Alimentar e Inclusão Social, como diretora-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Caxias (Codeca). Entre as principais ações na administração municipal, Marisa implantou o Programa Fome Zero e o Restaurante Popular em Caxias.
Em 2007, foi eleita deputada estadual, se destacando pelo compromisso com os movimentos populares e organizações sociais. Foi presidente da Comissão de Educação em 2007 e 2008 e vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos em 2009 e 2010. Atua na Frente Parlamentar Contra a Prorrogação dos Pedágios, foi relatora da Comissão Especial dos Parques Tecnológicos, integrante da Comissão de Agricultura e do grupo parlamentar de Luta Contra o Câncer de Mama. Marisa teve atuação determinante na implantação da CPI dos Pedágios, do qual foi titular em 2007. Seu compromisso sempre foi a garantia de direitos – à segurança alimentar, na luta em defesa dos professores e contra a criminalização dos movimentos sociais. Marisa coordenou a Subcomissão em defesa da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS) e foi presidente da Comissão Especial do Ensino Profissionalizante. É autora da emenda de R$ 790 milhões para ampliação e reforma de escolas no RS, tendo criado o programa no Orçamento estadual que já beneficiou mais de mil escolas por todo o Estado.
Agora acaba de assumir seu 2º. mandato na Assembleia Legislativa.
Sobre o momento político atual
“No mandato anterior ocupei-me de defender os direitos dos cidadãos porque tínhamos um governo que não priorizava a educação, a saúde, o direito de ir e vir, o reconhecimento profissional do professor, o direito das mulheres. Essas questões estarão no centro do governo e deverão ser reduzidas enquanto pauta Legislativa. Os focos do meu atual mandato serão a integração do sistema “S” , a educação profissional , a questão da saúde pública, a capacitação da juventude e das mulheres na formação de lideranças e a formação profissional. A agroecologia e a vitivinicultura continuarão temas do mandato. Quero comemorar o fim do modelo de pedágio e a retirada da praça de pedágio em Farroupilha. Estarei nas lutas do povo”.
Os Planos
Reconduzida ao segundo mandato parlamentar com 43.860 votos, a deputada pretende manter a atenção sobre temas como a educação, a saúde, o desenvolvimento regional e a inclusão social, somados ao compromisso com os movimentos populares e as organizações sociais.
A Presença Feminina
Apesar de comemorar o aumento significativo da presença feminina na Casa - a 53ª Legislatura terá oito mulheres, o dobro das que foram eleitas em 2006 - Marisa Formolo ainda considera o número insuficiente e acredita que a bancada feminina deve lutar para conquistar mais poder. Nesse sentido, a parlamentar quer ver aprovado o Projeto de Resolução nº 12/2010, de sua autoria, que altera o Regimento Interno da Assembléia. “Queremos o direito de estar na direção da Casa e das Comissões permanentes. Pois não basta aos partidos quererem a nossa presença para cumprir uma cota eleitoral se, quando chegamos às instituições de poder, esta garantia de direitos de gênero deixa de existir”, afirma.
 

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