Revista Acontece Sul

Edson Néspolo:

em Cidade - quarta, 08 de fevereiro de 2012

O Chefe de Gabinete do governo de José Ivo Sartori fala sobre os próximos investimentos e desafios da prefeitura
Experimentando um crescimento vertiginoso nos últimos anos, Caxias do Sul tem se deparado com constantes desafios nas áreas econômicas, sociais e de infra estrutura viária. As demandas urbanas precisam ser acompanhadas de perto pela Administração, trabalho que exige, ao mesmo tempo, planejamento e cautela. Diante do cenário que se projeta para a maior cidade do interior do Estado - o de um futuro com crescimento sustentável e com qualidade de vida -, planejamento e investimentos ousados devem andar lado a lado.
A revista Acontece conversou sobre esses e outros assuntos com o Chefe de Gabinete do prefeito José Ivo Sartori (PMDB), Edson Néspolo (PDT). Confira os principais trechos e saiba quais serão os próximos passos na reta final da atual Administração e o que ela pretende deixar de herança aos próximos prefeitos.
 
Acontece: Na reta final da administração de José Sartori, o que anda falta ser feito pela Administração em relação a grandes obras e investimentos?
Edson Néspolo: Faltam ser concluídas obras fundamentais neste ano. Entre elas estão a barragem do Marrecas, toda a reformulação do Complexo Fátima Baixo e o projeto Campos de Cima da Serra, uma quantidade enorme de habitações que beneficiará mais de mil famílias. Temos que concluir 170 quilômetros de asfaltamento no interior (mais de 42 comunidades beneficiadas) e temos uma grande UPA (unidade de pronto-atendimento) para ser entregue na zona norte. Enfim, temos grandes obras para serem concluí­das neste ano, graças ao trabalho, ao planejamento e à captação de recursos ao longo desses sete anos. Isso também nos possibilitou concluir grandes obras, como o viaduto da RS-122, o novo Postão 24H, as novas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), a reformulação das perimetrais e dos principais acessos à cidade, o programa de asfaltamento do interior (PAI) e a Barragem do Marrecas. Eu destaco também o nosso novo Plano Diretor (de 2007), que está nos dando base para muita coisa. Estamos com um esboço do Caxias 2030, que é um planejamento para o futuro. Temos uma grande perimetral, já com projeto traçado, nas zonas oeste e sul da cidade.
Acontece: As obras pendentes estão orçadas e planejadas para serem entregues até o final de 2012?
Néspolo: Todas estão. A primeira fase do Fátima Baixo será entregue até a metade do ano, o complexo do Marrecas estamos estimando para setembro ou outubro, o Campos de Cima da Serra para maio ou junho, todo o asfaltamento no interior para outubro. Todas as obras estão bem planejadas.
Acontece: Diante de tantas obras, como está o caixa da prefeitura? A próxima administração assume com o caixa zerado?
Néspolo: O nosso orçamento tem se confirmado, inclusive com arrecadação maior do que a projetada. Está muito bem fundamentado. Em virtude da grande quantidade de obras, principalmente as do Marrecas, o novo sistema de tratamento de esgoto (despoluição de arroios e tratamento de esgoto) e o asfaltamento no interior, a gente captou muitos recursos, então, obviamente, vamos ter também um saldo que deverá ser pago nos próximos anos. Mas mesmo assim o poder de endividamento da prefeitura continua muito bom, temos uma arrecadação muito compatível com o que é investido em obras.
Acontece: Numa avaliação pessoal, como o senhor compara Caxias antes da administração Sartori (iniciada em 2004) e atualmente?
Néspolo: É uma administração que vai marcar a história de Caxias, uma cidade que em 2004 tinha 4% de esgoto tratado e que, até o final deste mandato, vai saltar para 80%. Nós tínhamos um aterro sanitário esgotado (São Giácomo), e hoje temos um dos aterros mais modernos do Brasil, com capacidade para
receber o lixo da cidade nos próximos 50 anos. Somos uma das cidades que mais avançou na coleta seletiva de lixo, e somos pioneiros na mecanização dessa coleta. Estamos construindo também o complexo do Marrecas, que consideramos a maior obra da história de Caxias. Fizemos obras importantes na estrutura do sistema viário, visto que Caxias é uma das cidades com mais carros por habitante. A gente não consegue imaginar Caxias hoje sem o viaduto da RS-122, sem a duplicação da Perimetral Norte, sem o final das avenidas São Leo­poldo e Júlio de Castilhos, sem a abertura da Rua Pinheiro Machado... Essas grandes obras vão marcar a história da nossa cidade.
Acontece: Do que se trata exatamente o projeto Caxias 2030?
Néspolo: A gente está deixando um legado para as próximas administrações saberem que não há como trabalhar sem ter investimento pesado na questão do novo anel rodoviário de Caxias, uma perimetral que contorne a região do Desvio Rizzo, o aeroporto, Galópolis, Bela Vista, Cruzeiro. As atuais perimetrais, a RS-122 e a BR-116 estão esgotadas. Outra questão são as estações de transbordo, para poder tirar os ônibus do centro da cidade e deixar o transporte coletivo mais eficiente, além de implantar, definitivamente, uma tarifa única. A questão do novo aeroporto (em Vila Oliva) e a reinstalação da linha férrea também são instrumentos a serem trabalhados muito nos próximos anos, assim como o crescimento integrado com os municípios vizinhos, porque não adianta a gente planejar o nosso crescimento se ele não estiver coordenado com cidades como Farroupilha e Flores da Cunha, entre outras. Então, o Caxias 2030 vai proporcionar que as próximas administrações também tenham esses desafios como prioridades.
Acontece: Tendo em vista o que já foi encaminhado e planejado pela atual administração, o senhor acredita que Caxias estará como vocês planejaram em 2030?
Néspolo: Tudo o que foi planejado no papel vai contribuir muito, mas nós também trabalhamos com alguns dilemas. Em números absolutos, Caxias é a cidade que mais tem crescido no Estado, e esse é um desafio constante. Os investimentos na área social, em virtude da grande demanda de pessoas que chegam a Caxias, será muito intenso. Então, lógico, nós vamos ter conflitos em 2030, porque Caxias deverá crescer acima da média. Esse planejamento é fundamental desde já, para sabermos como e por onde Caxias irá se expandir.
Acontece: E isso depende de continuidade, independentemente de quem assuma a prefeitura...
Néspolo: Exatamente. Não adianta pensarmos Caxias para cinco, dez, vinte anos se não pensarmos Caxias com grandes obras. Por isso eu falo na reativação da linha férrea, na questão do novo aeroporto, nas perimetrais ao longo de Caxias.
 

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