Revista Acontece Sul

Do Branco para ACONTECE

em Cidade - quinta, 07 de maro de 2013

Olho para uma das estantes de livros. Lá estão enfileirados os 20 volumes considerados clássicos da literatura universal. Nos meus mais de 50 anos de vida adulta, li-os todos em busca incessante de saber, de conhecimento, de informação, de beleza e encantamento com tudo que me acompanha nessa longa caminhada nas trilhas da minha existência.
E vejo montanhas, rios, florestas, oceanos, vulcões, sóis, estrelas e planetas. Penso então nas mãos que moldaram tudo isso e que para alguns pode ter sido auto-construído.
Como não entendo o que meus olhos abrangem, creio estar mergulhado em um sonho maravilhoso. Mas o que é um sonho, então?
O moço gaudério percorre as veredas da encosta da serra. O vento errante balança os parreirais e leva consigo os ecos do ritmo dos atabaques que soaram no Campo dos Bugres. Vê-se os pomares que a terra fértil amamentou durante séculos. No cenário polimorfo de seu sonho, eis que o campeador depara com uma falha: na paisagem surge um quadro inusitadamente em branco. E a ideia impõe-se ao moço: a tentativa de colocar ali uma revista, iniciativa algumas vezes fracassadas por quantos que tentaram.
E assim como uma estrela, ela Acontece!
Era o mês de março.
Como revista da cidade, Acontece circulava uma vez por mês, menos em janeiro, tempo de veraneio, de férias, época menos propicia para ler. Estou dizendo que a publicação vinha à lume uma vez por mês, o que já constituía uma tarefa notável.
Paulo, que liderava o exíguo grupo dos destemidos inventores da revista Acontece, sabia que um empreendimento daqueles exigiria um dispêndio considerável. O seu grupo não possuía tantos recursos. No entanto, compreendia que só o amor, o sacrifício, a dedicação e o empenho são capazes de realizar o que os menos determinados não possuíam. A competência também é fator fundamental para se concretizar algo que alguns não disponham talvez até de condições mentais, instrumento capaz de instituir razões para que houvesse autêntica felicidade que não pareça uma simplória e efêmera ilusão. E lá se foram 11 anos, que agora são dignamente comemorados, cheios de sucesso. Valeu. Parabéns aos destemidos que a criaram. A revista é um belo e magnifico filho, admirado pelos avós corujas e que também marca o surgimento de uma nova constelação no firmamento familiar de escritores, chegando às promissoras letras de um neto.

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