Revista Acontece Sul

Jimmy Rodrigues e sua Tapariu*

Por Editor Chefe e produtor do Caderno Carros & Cia - Paulo Rodrigues em Cidade - tera, 09 de julho de 2013

A cidade de Tapariu está calada. Triste. Quieta.
Seu criador partiu. E prá nunca mais voltar.
O Bar Bante e o Bar da Esquina, que fica no meio da quadra, nunca mais serão os mesmos. A fábrica de brócolos haverá de continuar. Talvez os Alcaides melhorem depois de toda movimentação que o Brasil mostrou nos últimos tempos.
Aquela maravilhosa cabeça que imaginou Tapariu, tinha tiradas sensacionais. Uma das últimas, se não a última: chegamos com ele no hospital para a sua baixa. Estava ruinzinho. Depois de um longo chá de banco, mesmo doente e com seus 87 anos, já chegando nos 88, finalmente foi atendido. Entrou no consultório, com alguma dificuldade. O jovem e atencioso médico lhe pergunta: “e aí vô, o que o senhor tem” ???
A resposta foi imediata – o que eu tenho? Eu é que quero saber o que eu tenho, o senhor é que tem de me dizer”.
Essa era a perspicácia, a rapidez de respostas do seu Jimmy.
Um autodidata. Se formou no normal. Deu uma aula e nunca mais quis saber. Foi trabalhar no cartório e começou a escrever. Nunca mais parou. Autor de sete livros e de milhares e milhares de contos e crônicas. Foi tão eficaz em suas escritas, que participou de vários concursos de Contos, Crônicas e Poesias, instituído pela Prefeitura, ganhando muitos prêmios. E em razão dessa constância nas premiações, certo ano, o prefeito municipal da época o colocou na comissão julgadora, deixando espaço para outros ganharem os prêmios, tal a sua voracidade. Um intelectual. Abominava os espertalhões, os politiqueiros, sempre atuando com ética e honestidade, o que não era e não é nenhuma virtude mas sim um comportamento obrigatório que todos deveriam ter, conforme ele mesmo bradava.
Enfrentou severas dificuldades em vida. Perdeu a voz aos 45 anos devido a um câncer na laringe. Mas não se entregou. Pelo contrário, lutou como um guerreiro e venceu. Nunca isso serviu de motivo para deixar de fazer as coisas necessárias.
Mas na segunda luta, as forças enfraqueceram. Lutou até o último minuto. Foi em paz, tranquilo e sereno sabendo plenamente que cumpriu sua missão. Deixa um legado interessante. Deixa sua voz, que mesmo não existindo, ainda ecoa pela cidade que tanto amou, cultuou, enalteceu e defendeu com força e vigor. Era nato daqui e se orgulhava muito disso. A história vai mostrar mais ainda seu largo trabalho em prol de uma Caxias do Sul sempre melhor.
O homem, o jornalista, o escritor, o historiador, o contador de causos Jimmy Rodrigues partiu. Mas Tapariu vai sobreviver....por ele. Ela merece.
* Paulo Rodrigues
 

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