Revista Acontece Sul

Escola Municipal de Ensino Fundamental Engenheiro Mansueto Serafini

Por Crônica Turismo - Uili Bergamin em Cidade - segunda, 09 de junho de 2014


Turno integral para uma educação integral

 

Nas décadas de 80 e 90 Caxias do Sul crescia muito em todas as direções. Com o aumento da população no Bairro Pioneiro e arredores, formada em grande parte por funcionários públicos, surgiu também a necessidade de uma nova escola para atender a essa demanda. Assim, em 23 de junho de 1992, foi criada a Escola Joaquim Pedro Lisboa, posteriormente reconstruída no Bairro Pôr-do-Sol, ali pertinho, com nova denominação. A escolha do nome homenageou o pai do prefeito em exercício na época, Mansueto Serafini Filho, sendo então chamada Escola Municipal de 1º Grau Engº Mansueto Serafini.  Anos depois, em 1999, com a mudança da lei, a escola recebeu a atual nomenclatura.  

No início de seu funcionamento a instituição contemplava apenas turmas iniciais do Ensino Fundamental. Com o passar do tempo, no entanto, passou a oferecer o Ensino Fundamental Completo e a modalide EJA – Educação de Jovens e Adultos, atendendo a comunidade nos turnos manhã, tarde e noite, a partir de 2006. Nesse ano também foi criada a Banda da Escola, com 30 componentes, sob a regência da maestrina Inês Caon. 

Em 2014 a Escola Mansueto Serafini passou a ser a primeira escola municipal de Caxias do Sul com turno integral, oferecendo aulas durante todo o dia, da pré-escola ao 9º ano. A escolha da instituição entre as 85 do município se deu principalmente pela estrutura, já que dispõe de espaço físico necessário para atender as crianças por um período estendido. Possui um excelente ginásio de esportes, laboratórios, salas de áudio, refeitório amplo, pátio coberto e auditório. 

Atualmente a escola conta com 63 professores, 10 funcionários e 300 alunos, que iniciam sua jornada diária às 8h com o café da manhã, encerrando às 17h, com uma hora de intervalo para o almoço. 

Na direção, a professora Vera Lúcia Paim Bolsoni conta com o auxílio de uma vice-diretora para cada turno, além da coordenação pedagógica nos três turnos de Estela Maris Sander.

 

 

Turno Integral

 

O projeto rompe com algumas barreiras historicamente construídas no Brasil, especialmente nos aspectos políticos, pedagógicos e institucionais. Importante frisar que em países desenvolvidos essa já é uma prática adotada há tempos e que vem rendendo bons frutos em escolas públicas. A grande diferença entre esse modelo e o da escola convencional é que aqui há um aprofundamento das disciplinas e um olhar crítico sobre questões do cotidiano. 

É notório o ganho no que se refere à aprendizagem, já que a escola ampliou a carga horária, com 8 horas por dia distribuídas nos componentes curriculares de acordo com a legislação vigente. Nos anos iniciais e educação infantil a escola oferece uma carga anual de 1800 horas, através do ensino globalizado nas disciplinas de educação física, ginástica, alongamento e jogos de mesa, além de artes e língua inglesa. Até então, os alunos só começavam a ter contato com a língua estrangeira no fim do ensino fundamental. Já o trabalho pedagógico específico nos anos finais se dá com produção textual, jogos lógicos, robótica, iniciação à pesquisa, linguagem visual, musical, teatral, recreação, esportes coletivos e outros.

Além disso, destaca-se a experiência de uma monitoria cooperativa, por meio da qual os alunos do 5º ao 9º anos interagem com os demais, auxiliando em tarefas de organização dos espaços nos horários de recreio e intervalos. O objetivo é proporcionar um exercício de interatividade e autoridade compartilhada entre professores, alunos e equipe diretiva. Isso contribui para o desenvolvimento da autoestima, reduzindo o número de conflitos, fomentando assim uma convivência respeitosa e saudável entre todos.

Há na escola uma opção metodológica sócio-interacionista, organizada através de projetos, este ano elegendo a “Diversidade” como tema e tendo como foco pedagógico a frase: “Valores e respeito pelo outro constroem uma escola feliz”.

As dúvidas iniciais e os medos comuns a qualquer grande mudança vão aos poucos cedendo passagem à construção de um trabalho comprometido com a aprendizagem e com a valorização do espaço escolar, como estímulo ao desenvolvimento pleno da cidadania.

Quem sabe um dia tenhamos todas as nossas escolas em condições de acolher propostas como essa, formando cidadãos em tempo integral.

 

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