Revista Acontece Sul

A ARTE DE CONVIVER

Por Etiqueta - Regyna de Queiroz Gazzola em Cidade - quinta, 13 de novembro de 2014


O exagero da comunicação on-line

 

Mês passado, mais precisamente dia 4 de outubro, tive participação na Feira do Livro, a convite de João Pulita, no bate-papo chamado Outras Palavras, O tema foi “o conviver”. E nós procuramos conduzi-lo através do conviver com arte. Houve expressiva participação do público, com perguntas muito pertinentes ao tema. Deu para sentirmos que a preocupação geral é o exagero do uso de celulares, tablets e Ipads. É a ausência da pessoa junto aos que estão com ela. Muitos dialogam com amigos ou conhecidos distantes, perdendo os momentos daquela conversa olho no olho com quem está ao seu lado. A elegância no convívio social, o saber entabular uma conversação com quem nos é apresentado, a simpatia, a gentileza, tudo isso foi abordado por menos tempo, tal a preocupação das pessoas em ter, de novo, a companhia dos seus afetos. Todo exagero acarreta prejuízo no convívio entre os seres. Onde fica, então, a empatia, que o Dicionário da Língua Portuguesa nos diz que é “sentir com”? Ela, que nos leva a aceitar o conteúdo psíquico do Outro, diferente da nossa própria vida interior. Onde ficam o olhar, o sorriso, a lágrima e o abraço? O aconchego de nos sentirmos próximos de alguém que nos ouve e nos estima? Ah! Jovens! Se vocês entendessem o quanto as gerações anteriores a vocês esperam por essa manifestação de afeto, de olhar nos olhos, de ver um sorriso voltado para pai, mãe, avós e professores...

No mês anterior participei do programa Rede de Olhares, na UCS TV. Qual o tema desse programa? Foi “celular”. Não tanto para abordarmos os benefícios que ele nos trouxe, mas para falarmos na preocupação que ele nos dá, atualmente, principalmente nas mãos dos bem jovens. Diversas pessoas foram convidadas a dar seu depoimento, inclusive um grupo de alunos de ensino médio. Cada um deles com seu celular na mão. Questionados sobre o tempo de uso, alguns o deixavam só para ir dormir; outros ainda durante as refeições e o sono da noite. O uso de ‘n’ aplicativos acompanham a maioria deles, jovens.

Vamos repensar na importância de quem está ao nosso lado? Seja um familiar, amigo ou namorado? Vamos voltar a valorizar as reuniões de família? Vamos repensar no aperto de mão, no toque de pele, nos olhos que sorriem tanto quanto os lábios? É hora de voltarmos a receber e transmitir emoções. Precisamos delas. Nosso coração nos pede isso.

 

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