Revista Acontece Sul

JUSTIÇA

em Cidade - quinta, 13 de novembro de 2014


Eleições e xenofobia, homofobia, racismo e intolerância religiosa

 

Eleições presidenciais são de quatro em quatro anos (talvez mudem, para que tenhamos uma eleição geral, de vereador a senador, de prefeito a presidente). O espaço temporal, assim, justifica voltar ao assunto eleições. 

Passado o período eleitoral, com a eleição de todos nossos futuros – assumem em janeiro de 2015 – administradores públicos e representantes legislativos, registro uma infeliz queda de uma máscara brasileira. A antiga descrição do Brasil, terra da paz e onde todas as raças, cores, credos viviam em harmonia, não existe. Os crimes de ódio tomaram conta das redes sociais, das manifestações individuais e coletivas. A eleição foi o pano de fundo para o péssimo espetáculo discriminatório.

A onda de ofensas contra paulistas, nordestinos, gaúchos – sim, também fomos ofendidos – se multiplicou, desvendando um brasileiro que pratica o crime de segregação, racista. No dia seguinte ao resultado do primeiro turno, ou seja, em 06 de outubro de 2014, foram realizadas 537 denúncias de crimes de ódio cometidos na web. Foram, também, 258 páginas únicas denunciadas. Um levantamento do jornal Folha de São Paulo encontrou entre julho e outubro, no período eleitoral, 8.429 denúncias de crimes de ódio no Facebook e no Twitter.

Vários são os estímulos para esta avalanche raivosa: ausência de punição, facilidade de acesso a conteúdos ofensivos, utilização de perfis falsos, e também o incentivo dos próprios candidatos e partidos.

Ouvi em um debate na TV Record um candidato a presidente da república dizer que “aparelho excretor não reproduz”. Esta manifestação conduziu ao pico das denúncias, pois foram apresentadas, no dia seguinte ao debate, 1.143 denúncias e 143 páginas únicas denunciadas, um aumento de 1.800% se comparado com a mesma data do ano anterior. 

A intolerância religiosa não ficou fora do debate. Candidatos, para agradar uma ou outra religião, omitiram suas posições quanto a temas como aborto e outros. Outras manifestações partidárias associaram a vitória do candidato A ou B, em determinadas regiões do país, a pobreza, à burrice, e outras tantas formas ofensivas.

Em resumo, a eleição foi o pretexto para, infelizmente, mostrar que o brasileiro pratica, de forma odiosa, crimes de ódio.

 

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