Revista Acontece Sul

SETOR IMOBILIÁRIO

em Cidade - quinta, 05 de maro de 2015


Melhor momento em 10 anos - para comprar imóvel

Em recente reportagem, um telejornal de abrangência nacional transmitiu opinião de especialistas dizendo que 2015 é o melhor momento nos últimos 10 anos para comprar imóvel. Qual a motivação para essa avaliação, uma vez que os noticiários estão recheados de más notícias?

Inicialmente, é interessante considerarmos que, desde 2008, de modo especial, quando o chamado boom imobiliário teve seu pico, o financiamento de imóveis saiu do equivalente a 1,84% do PIB para atuais 9,7% do PIB. O valor financiado em 2008 era de R$ 5 bilhões, patamar atualmente alcançado em apenas 15 dias. Ainda assim, se compararmos com países desenvolvidos, é pouco. Para se ter uma ideia, no Reino Unido o crédito imobiliário equivale a 81% do PIB; nos Estados Unidos, 69% do PIB; Espanha, mesmo com toda crise, 61% do PIB. Comprando ainda com países em desenvolvimento, percebemos o enorme potencial que temos. Na África do Sul, o financiamento imobiliário equivale a 24% do PIB; na China, 14,5% e no Chile, nosso vizinho, equivale a 19% do PIB. O desenvolvimento de uma nação passa pelo segmento imobiliário, isso vale também para o Brasil.

A expectativa é de que o crédito imobiliário deva crescer 5% em 2015, ante o ano passado, para R$ 119 bilhões, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Esse crescimento contínuo é fundamental porque ainda temos no Brasil um déficit habitacional em cerca de 5,8 milhões de moradias. Em Caxias do Sul, segundo estimativas da Prefeitura, cerca de 11 mil famílias residem em sub-habitações ou habitações precárias, sem contar milhares de pessoas que pagam aluguel.

Temos que considerar, também, a demanda orgânica, gerada pelo crescimento populacional e pela dinâmica demográfica, que segundo estimativa do Ministério das Cidades, irá gerar uma demanda total de 27 milhões de moradias no Brasil até 2023. Nesse contexto, o FGTS e a poupança certamente não darão mais conta de financiar o setor e outras fontes começarão a ganhar importância, como Letra de Crédito Imobiliário (LCI), Cédula de Crédito Imobiliário CCI), Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), bem como maior participação dos bancos privados.

Ainda que o ritmo de valorização dos imóveis tenha caído, algo natural e desejável para evitar risco de uma “bolha imobiliária”, hoje totalmente afastado, não há investimento que apresente melhor relação investimento X retorno X segurança, especialmente em momentos de instabilidade econômica. A valorização real já atingiu patamares em torno de 1% ao mês, ou mais, em algumas regiões de Caxias do Sul e do Brasil, atualmente apresenta-se estável em patamares civilizados, na faixa de 6% ao ano. Com isso, mais o crescimento da oferta, impulsionado pelos lançamentos, e taxas de juros atrativas (aumentaram, porém de forma pouco significativa), temos preços convidativos para quem deseja comprar e também potencial de valorização para os próximos anos, especialmente se considerarmos a expansão populacional e a transformação urbana de Caxias do Sul em curso.

Muito temos que melhorar em termos de gestão, agilidade e redução de burocracia no setor público, redução do custo do dinheiro, mas considerando os marcos regulatórios já implementados e o cenário traçado, investir em imóveis é e continuará sendo um bom negócio. Pesquisa e avaliação fazem parte do papel do cliente. Crescimento sustentado, com qualificação e excelência, deve ser a meta do segmento como um todo.

 

Presidente da Associação dos Imobiliários de Caxias do Sul - ASSIMOB

 

Comentários