Revista Acontece Sul

Caminho inverso

Por Editor Chefe e produtor do Caderno Carros & Cia - Paulo Rodrigues em Diversos - segunda, 11 de julho de 2011

                                                                                                             Por: Márcio Maio
Talvez a íntegra Carol de "Insensato Coração", da Globo, seja a personagem de Camila Pitanga mais próxima de sua realidade. E o que poderia ser considerado um conforto é a maior dificuldade da atriz. Acostumada a tipos que se distanciam ao máximo de sua personalidade, como a sensual Bebel de "Paraíso Tropical" ou a batalhadora Rose de "Cama de Gato", Camila experimenta agora um trabalho de composição praticamente feito em cima de seu próprio universo. "Ela tem uma relação boa com a família, trata todo mundo ao seu redor de maneira igual, os seus valores são próximos dos meus e estamos em posições sociais parecidas. Então, aproveito tudo que pode servir para afastar comparações entre nós duas", explica.
Uma preocupação que, na verdade, existe apenas na cabeça de Camila. Sua personagem é uma das mais bem-aceitas em pesquisas sobre a novela. E essa repercussão pode ser sentida nas ruas. A atriz é constantemente abordada por telespectadores que falam sobre a decisão de ser mãe solteira da personagem, a paixão conflituosa pelo mulherengo André, de Lázaro Ramos, e o recente namoro com o bondoso Raul, de Antônio Fagundes. Uma relação que eleva a executiva a uma fase mais madura, é verdade, mas também propicia conflitos amorosos mais densos. Isso porque a atenção de Carol passa a ser disputada pelos dois homens que mexem com sua emoção. "Muita gente tem esse lado da posse, que se manifesta quando uma pessoa que ela julgava amá-la decide seguir em frente. Essas relações mal resolvidas costumam instigar o público", avalia.
Esse é o segundo trabalho seguido de Camila Pitanga que explora conflitos envolvendo a maternidade. Em "Cama de Gato", sua personagem sustentava, sozinha, quatro filhos.
Fase Madura
Aos 34 anos, a atriz acredita que está entrando em uma fase mais madura de sua carreira. Um processo que começou bem antes, em "Belíssima", em 2005, quando viveu a generosa Mônica. Na história, ela tomava conta do afilhado Toninho, de Thomas Veloso, chegando a disputar a guarda do menino na Justiça. "Não sei se vai ser sempre assim daqui para frente, mas me identifico com esse instinto maternal. Além de serem papéis que costumam ser densos, adoro gravar com criança", fala Camila, que é mãe de Antônia, hoje com três anos.
Ao contrário de "Cama de Gato", quando, para viver uma faxineira, Camila fez laboratório em uma grande empresa convivendo com essas profissionais, dessa vez a atriz não sentiu necessidade de uma pesquisa de campo mais pessoal. "Tenho vários amigos publicitários e, até mesmo por trabalhar na televisão, conheço muita gente desse universo, que não é tão distante do meu", argumenta. A elegância no figurino e no corte de cabelo foram elementos que, de certa forma, auxiliaram Camila a entender a melhor forma de representar uma mulher de sucesso nesse ramo. "Mas o principal nessa construção foi delinear a forma como ela se relaciona com cada personagem da história. Foi um trabalho mais interno mesmo", diz.
Só uma recomendação foi dada a Camila antes de começar a gravar "Insensato Coração". A atriz, que está em plena forma, precisava engordar. Antes de começarem os trabalhos da novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, ela participou do filme "Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios". E, para o longa, que foi adaptado do livro de Marçal Aquino e deve ser lançado ainda no segundo semestre de 2011, teve de emagrecer. "O Dennis Carvalho, que dirige a novela, pediu e com razão. Eu estava muito magra. Estou comendo de três em três horas e fazendo natação, ioga, hidroginástica e malhação", admite.
Maioridade artística
A estreia de Camila Pitanga como atriz na tevê aconteceu na adolescência e pôde ser revista há pouco tempo no canal por assinatura Viva, na minissérie "Sex Appeal", gravada há 18 anos. Na época, aos 16, interpretou uma aspirante a modelo que disputava uma vaga em uma grande agência. Foi o suficiente para, logo em seguida, conquistar um papel de destaque em "Fera Ferida", novela de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares. E já em seu terceiro trabalho, marcou presença mais uma vez no horário nobre, desta vez em "A Próxima Vítima". "É muito gostoso, hoje, relembrar essa trajetória. Construí minha carreira aos poucos, sempre dando passos importantes", valoriza.
Em 1997, foi chamada para um dos principais papéis de "Malhação", na pele da motoqueira Alex. Integrou ainda o elenco de "Pecado Capital" para, em seguida, despontar como a índia Paraguaçu na minissérie "A Invenção do Brasil" e a antagonista Esmeralda de "Porto dos Milagres". A partir de então, se manteve na faixa das nove da emissora em "Mulheres Apaixonadas", "Belíssima" e "Paraíso Tropical", quando pegou o papel recusado por Mariana Ximenes, da prostituta Bebel. E ganhou o público e a crítica com sua construção. "Era um papel muito bem escrito. Se algo saísse errado, seria erro meu", derrete-se.
Instantâneas
* Em "Insensato Coração", o filho de Carol se chama Antônio em homenagem a Antônio Pitanga, pai de Camila, e à própria filha da atriz. 
* Camila é irmã de Rocco Pitanga, que interpreta o "boa-praça" Lupi em "Rebelde", na Record.
* O convite de Gilberto Braga para Camila fazer "Paraíso Tropical" veio depois que o autor assistiu sua atuação no espetáculo "A Maldição do Vale Negro". Mas, na época, a atriz estava reservada para outro papel. 
* Camila chegou a morar durante um ano e meio no Morro Chapéu Mangueira, favela da Zona Sul carioca, na casa de sua madrasta, a deputada federal Benedita da Silva.
 

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