Revista Acontece Sul

Cortar o Tempo em Fatias

em Diversos - quarta, 08 de fevereiro de 2012

Iniciei 2012 vendo alguns filmes que tinham ficado para trás, como o excelente Meia Noite em Paris, do diretor Woody Allen. Uma comédia que conta a história do personagem Gil, um escritor que sempre idolatrou os grandes escritores americanos sonhando em ser como eles. Sonho que a vida lhe roubou tornando-o um roteirista reconhecido e famoso, porém frustrado com esta situação. Viajar a Paris, uma cidade mágica, abriu-lhe a possibilidade de questionar e mudar os rumos desta realidade.
Na semana passada, vi o novo Sherlock Holmes, de Guy Ritchie. Um filme de ação que conta mais uma história do famoso detetive, mas que em parte desvirtua o personagem original criado pelo médico e escritor Sir Arthur Conan Doyle. Mais um filme de aventura e de efeitos especiais hollywoodianos, mas que apesar das inúmeras críticas negativas, até vale uma ida ao cinema.
Filmes fáceis, divertidos e, especialmente, bons para quando se quer começar o ano de forma mais leve, renovando as energias ou as esperanças. Como disse Carlos Drummond de Andrade: “Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.
 
Quanto a mim, não é de hoje que gosto de ir ao cinema, sempre gostei. Cumprir o ritual de sair de casa, o espaço escuro, o tamanho da tela, a qualidade do som, tudo isto torna o cinema um lugar especial que dá condições ao expectador de entrar no clima dos personagens. Quando adolescente meu programa preferido de domingo à noite era assistir aos filmes no Cine Guarani. Tenho certeza que aqueles que já passaram dos cinqüenta, também, se recordam do gosto das balas brancas do bar do Cine Central. Um programa inocente que, muitas vezes, também servia de desculpa para encontrar amigas e namoricos sem ter a necessidade de montes de explicações aos pais.
Ultimamente, porém, tenho quase desistido de ir ao cinema apesar de achar que ver um filme em vídeo é bem diferente e, em alguns casos, bastante frustrante. Os motivos principais para este meu descontentamento são as infindáveis conversas e o constante piquenique feito pela grande maioria das pessoas, alguns jovens e outros nem tanto. Acho que este pessoal vai ao cinema porque não tem o que fazer ou tem tempo e dinheiro suficientes para jogar fora, afinal isto requer deslocamento e não é um divertimento assim tão barato. Quem sabe, fazem isto pelo simples prazer de desrespeitar os demais ou para rir do incomodo que causam tornando-se muito parecidos com algumas crianças, insuportáveis, que correm livremente ao redor das mesas dos restaurantes. Para ver o filme, certamente, não é!
 

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