Revista Acontece Sul

Culpa Minha ou Culpa Sua?

Por Crônica - Pedro Fattori em Diversos - segunda, 26 de maro de 2012

Platão. As pessoas passam por mudanças, evoluções e involuções. Em algumas coisas eram melhores tempos atrás. Em outras ficam melhor hoje. Cada mudança traz um risco, mas o congelamento de vínculo é um risco maior. No relacionamento a dois, no começo, procura-se afinidades negando-se as diferenças. Com o tempo cada um sabe o que o outro gosta e acabam viciados nas mesmas escolhas, deixando tudo ao sabor do piloto automático.
De repente a repetição acaba enfadonha. A melhor forma de não amargar a vida é: se resolver apostar em algo aposte com toda determinação.
Há quem ainda valoriza o sofrimento e a dificuldade. Quando há o rompimento, com certeza alguém tem que ter culpa. Culpa é coisa para o Onipotente, que tem o poder de fazer a coisa errada e não faz. Para nós, reles mortais, não existe isso. Há responsabilidades, isso sim, e conseguir separar uma coisa da outra é essencial.
Nós não somos transparentes nem para nós mesmos, como vamos ser para os outros. Precisamos reformular o conceito de felicidade. É fundamental lembrar que frustração é parte da bagagem humana, não um desvio de rota. A gente tem que aprender a tolerar frustrações como parte inerente das nossas falhas. Tem de aprender a tolerar imperfeições. Ser feliz não significa ficar o tempo todo em estado de graça e sim ter um balanço favorável do momento e enxergar uma possibilidade no futuro.
Uma relação tem que ser avaliada pela forma como a pessoa se sente nela, não pelas cartas do tarô. Numa relação de parentesco é preciso ter coragem de enfrentar mudanças e diferenças. Ninguém precisa procurar briga, mas também não precisa fugir dela. Não se deve ter medo da divergência. Ter limites é virtude.
Viver o desconforto do desentendimento, durante algum tempo, é factível e normal, mas perseverar numa aflição obstinada é indicio de teimosia doentia... de um coração sem humildade, de uma alma sem resignação, de um julgamento fraco e malformado. Entre a ira e a paixão, não se pode fazer pouco do amor, para não desperdiçar a vida alienando-se da realidade, escondendo infindavelmente a fraqueza de jogar para os outros nossas mazelas, perdas e desilusões íntimas. Resumindo:é a conjugação do perdão com respeito que consolidam o amor e as relações.
 

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