Revista Acontece Sul

Solidariedade

Por Etiqueta - Regyna de Queiroz Gazzola em Diversos - segunda, 26 de maro de 2012

Há duas coisas que acompanham o nosso quotidiano: a pressa e o medo.
A pressa não nos deixa olhar para os lados e ver o que está acontecendo ao nosso redor, às vezes até muito próximo. A cada novo ano as pessoas correm mais, parece que o tempo encolheu. Não paramos para dar uma informação que nos é solicitada, nem para indicar um endereço qualquer, onde fica uma determinada rua. São pessoas de outra cidade, talvez, ou que moram na periferia, e desconhecem os endereços de consultórios e farmácias do centro.
A resposta mais comum é: - Desculpa não parar, estou atrasado. E nessa pressa constante não vemos o idoso que precisa atravessar a rua e está com receio de fazê-lo sozinho, nem o cego, a quem poderíamos ajudar com cuidado, caminhando na calçada cheia de buracos. Essa pressa constante existe na maioria das pessoas. Eu apresento o fato a vocês, leitores amigos, mas vivo, também, da mesma forma, presa ao relógio que carrego no pulso, e não consigo passar sem ele nunca. Parece que me falta uma peça de roupa se esqueço de usá-lo.
Sei que o medo, de uns tempos para cá, também acompanha todas as pessoas, ao saírem à rua. Medo de serem assaltadas, de que roubem sua bolsa, de serem atropeladas por um motorista que não respeita as leis de trânsito, e por aí vai. Mas há um detalhe estranho: na hora em que há um atropelamento, todos param, ficam em torno da pessoa acidentada, às vezes até atrapalhando a equipe de socorro, que chega e precisa de espaço para se locomover.
Diante desses dois fatores, pressa e medo, fica mais difícil haver solidariedade. Porque solidariedade se aprende, se constrói desde a infância através de experiências que temos uns com os outros. Ser solidário apenas consigo mesmo é ser solitário, mas ninguém vive sozinho. A violência que assola o mundo de hoje e nos assusta com cenas que parecem de filmes de terror, mas que está acontecendo nas ruas de muitas cidades de nosso país, não apenas nas capitais, em cidades menores também, bloqueia a nossa vontade de ajudar. O coração nos dita a caridade, o gesto de estender a mão, mas a mente nos alerta dos perigos a que estaremos expostos. E não fazemos nada.
Falei na solidariedade com um olhar global, mas procuremos desviar esse olhar para dentro de nossas casas, ensinando as crianças a serem solidárias, a saberem repartir, partilhando com os colegas seus brinquedos, a aprenderem a não fazer discriminação, seja ela qual for, de raça, cor ou situação socio-econômica entre as famílias. Desse modo, estaremos colaborando para a melhoria do quotidiano de todos, desde a mais tenra infância.
Quero abordar, também, outra situação que vem acontecendo no mundo, mas que nos importa mais, neste momento, observar a que acontece em nosso país: onde chovia demasiadamente passou a haver seca, onde havia seca de muito meses, a chuva toma conta em enxurradas estranhas e inesperadas. Cidades litorâneas entram em estado de calamidade pública pelas águas que tomam conta das casas, destruindo-as completamente, deixando os moradores sem teto e sem condições de vida. Quando isso acontece em lugarejos pobres, as pobres pessoas, ao serem entrevistadas pela mídia, dizem: - Deus quis assim.
Mas logo se ajeitam com a vizinhança, que os acomoda, porque a solidariedade é sempre grande entre a população carente.
No mês de fevereiro deste ano, aconteceu fato similar em nossa cidade que, sendo serra, é de causar estranheza. Uma chuva torrencial tomou conta de vários bairros de Caxias do Sul, onde a forte enxurrada derrubou casas, pavilhões, danificando ruas e ocasionando um estrago irreparável em diversos bairros. Vendo as fotos publicadas na mídia, sentíamos a situação de calamidade pública causada na nossa terra, atingindo o nosso povo, a nossa gente. Vi, com tristeza, fotos de uma escola, muito bem atendida sempre pela direção, corpo docente e a comunidade em geral que ficou praticamente destruída. Sei do esforço constante dos voluntários que a mantinham na mais completa ordem. Essa constatação foi desalentadora. Mas a nossa comunidade se mobilizou, e foi emocionante ver o povo de Caxias correr a socorrê-la e, nessa hora, todos abrandaram seus corações para auxiliá-la. Vi e senti isso. E quero, de coração, poder dizer:
- O povo de minha cidade é solidário, sabe estender a mão!
 

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