Revista Acontece Sul

Centenário de caxiense por adoção

em Diversos - segunda, 04 de junho de 2012

Caxiense por adoção política sua, pois aqui, em Caxias começou sua vida politica como Vice-Prefeito, exerceu o Cargo de Prefeito e depois disputou a Prefeitura, e por Caxias foi ainda Deputado Estadual e Federal, e que estaria fazendo agora, cem anos: nasceu em 06 de maio de 1912, em Porto Alegre, tendo falecido em 20 de maio de 2000. Me refiro a Guido Fernando Mondim. Centenário pois, de um grande homem público e de um grande pintor, que de certa forma continua vivo, em suas belas telas, de tão hábil mão e visão de pintor. Mas não seria somente o artista a nos motivar sua lembrança, como também o homem público, político de grande liderança, pelo que foi mais conhecido no Estado, desde Caxias do Sul e depois Senador e Presidente do Tribunal de Contas da União.
Em 1950, concorreu à Prefeitura de Caxias. Dessa campanha, tal o espírito extrovertido e hilariante de Mondim, que contam episódios. Um até parece lenda. Os antagonistas teriam programado um “enterro simbólico” da sua candidatura. Quando o cortejo fúnebre passava pelo centro, Mondim, de chapéu, capote de lã e manta, rosto quase coberto, se incorporou e chegou junto ao caixão que “levava seu corpo”. Em seguida, conseguiu substituir um dos que carregavam o “defunto” e, aí, desdobrou a manta, baixou a gola do capote, levantou um pouco o chapéu e acabou sendo identificado. Um dos participantes se assustou, e gritou: “Pessoal, o defunto ressuscitou, está vivo, carregando o próprio caixão”! O que provocou sobressalto nos participantes, que correram, ficando Mondim sozinho.
Não ganhou aquela eleição, o que não arrefeceu sua disposição. Em 1958 elegeu-se senador, sendo reeleito, em 1966. Com o término do segundo mandato no Senado, em 1975, foi indicado ministro do TCU, do qual foi presidente em 1978. Mondim foi também atleta, líder classista, folclorista, escritor, poeta e dirigente-escoteiro-nacional, quando com ele mais convivi, pois fui Presidente Estadual dos Escoteiros e depois, Deputado Federal, quando ele Senador.
A vida política não impediu o desenvolvimento do dote artístico de pintor, estilo neoclássico, que tanto o notabilizou. Suas telas estão espalhadas no Brasil e pelo mundo, inclusive na Casa Branca, em Washington. Também em Brasília, no Senado, e aqui, na Assembleia Legislativa do RS, no Tribunal de Contas do Estado, retratando em cores mágicas a história do RS, nossa Serra, campos e paisagens, como tantos episódios da História e cultura gaúcha, ou revivendo figuras sacras, desde o “Cristo Banido”, à “Via Sacra”. O Tribunal de Contas de Estado chegou a transformar a reprodução de uma de suas telas, “A Carga Farrapa”, numa honraria.
Seus notáveis discursos e sua elevada contribuição legislativa estão nos Anais do Congresso Nacional. Sua arte igualmente retrata personalidade e caráter, tão afável, íntegro, observador, hábil e incansável. Centenário, pois, de um grande homem público e de um grande pintor.

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