Revista Acontece Sul

Preconceito:

Por Etiqueta - Regyna de Queiroz Gazzola em Diversos - segunda, 13 de agosto de 2012

Assistindo à minissérie da Globo, “Gabriela”, extraída da obra de Jorge Amado, dá para sentir o quanto era forte o preconceito daquela época. Mas, se retrocedermos ainda mais no tempo, vamos perceber que o preconceito sempre existiu. Nas tribos indígenas, o velho pajé comandava seu povo. Na antiga Grécia, os senadores eram anciãos, que se reuniam para ditar as leis que passariam a vigorar. Sempre eram os homens tinham a posição de mando. As mulheres os serviam, procriavam, cuidavam das crianças e não tinham acesso ao estudo. Só no Século XX é que começou a haver mudanças na cultura dos povos. A Inglaterra tomou a iniciativa, seguida pela França. Apenas na Europa, essas mudanças começaram a acontecer. Em torno de 1920, uma revolução nos hábitos surgiu no mundo, com a mulher buscando seu espaço, tentando estudar, trabalhar e conseguir seu lugar ao sol. O Brasil é um país mais novo, mas aqui também, no pós-guerra, os hábitos mudaram. As mulheres passaram a ter direito a  votar no governo de Getúlio Vargas, pois antes elas não eram “gente pensante”. Daí veio o estudo, a vontade de se equiparar ao homem, por direito. Cabe salientar, no entanto, que na monarquia europeia houve mulheres que governaram, e com a força ditatorial de um homem. Correndo para frente no tempo, tivemos, no Século XX, a Dama de Ferro, na Inglaterra, exemplo de coragem e dinamismo dignos de um homem forte e poderoso.
No Século XX, a mulher estudou, passou a escolher a profissão do seu interesse, ou de sua vocação. Entrou para as universidades e começou a disputar, com o homem, posições no mundo empresarial. Seu horário de trabalho se igualou ao dele, e projetou, desde aí, a profissão para o primeiro plano de sua vida. Os direitos e deveres para com a família hoje são divididos entre homem e mulher.
Mas chegamos ao Século XXI, e muitos de nós fizemos parte desses dois últimos séculos. Quanta surpresa para os que já passaram de meio século! É difícil aceitar certas modernidades. Os laços de casamento enfraqueceram, e agora aceitamos, como normal, a união estável. As leis precisaram ser modificadas pela nova cultura, que passou a tomar conta do povo. Mas isso não vem alterar tanto o lado ser de cada um de nós. O que se tornou estranho para a velha guarda é que a escolha de um companheiro ou companheira, muitas vezes, não é mais alicerçada no amor. Se dizem que é, colocam em anexo: - Eu o amo, ou eu a amo, se...
Minha página, nesta revista, chama-se A Arte de Conviver.
E agora, dirijo-me aos mais jovens, nos parágrafos seguintes. No caso da mulher, equiparar-se ao homem na profissão é elogiável, é prova de inteligência, de garra, de vontade de vencer. Esse dinamismo pode ser elogiado e ser motivo de orgulho de seu companheiro. Ele, trabalhando e dividindo com ela as tarefas do lar, faz com que se crie um elo mais forte, dando a sensação de que a união faz a força.
Mas o que me penaliza é a vulgarização do sentido do amor. É dizer que hoje “fica”, mas amanhã já não serve mais. Os jovens, muitas vezes, passaram a tratar seus companheiros de vida como “coisas descartáveis”, que hoje pode ser bom, mas amanhã cabe ser substituído.
Iniciei falando em preconceito, mas diante dessa mudança exagerada do Século XXI, tornou-se difícil me referir a ele de modo adequado. Não considero que quem manda é o homem, nem que esse lugar de mando tenha sido ocupado pela mulher. Considero que a beleza da modernidade é que passemos a entender que todos somos seres iguais, com os mesmos direitos, sendo A ou B de raça, cor ou posição social diferentes. Que no verdadeiro amor não pode haver preconceito, pois ele simplesmente é, e deve estar impregnado do que de mais belo pode existir: o companheirismo e a amizade.
 

Comentários