Revista Acontece Sul

Beleza Selvagem

Por Editor Chefe e produtor do Caderno Carros & Cia - Paulo Rodrigues em Diversos - segunda, 15 de outubro de 2012

Protagonizar “Gabriela” é, de longe, o trabalho mais difícil da carreira de Juliana Paes. A complicação vai além da tão falada responsabilidade de  reviver um personagem icônico e  já defendido por Sônia Braga na primeira versão da trama, de 1975, e no filme de 1983. Juliana teve de abrir mão da vaidade e dos momentos com o pequeno Pedro, seu filho de um ano e meio de idade. “É o tipo de personagem que não é só colocar o figurino e atuar. Houve uma intensa preparação. Entrega total mesmo. Gabriela é primitiva. Não se encaixa nos padrões. Tive de ir atrás disso”, valoriza. Logo que soube que iria dar vida à personagem, a primeira atitude de Juliana foi deixar cabelos e sobrancelhas ao natural e tomar muitos banhos de sol. Já pensando nas inúmeras cenas sensuais coerentes com o papel, ela redobrou os cuidados com o corpo.
Enquanto se preparava fisicamente, intensificava cada vez mais as aulas de História – afinal, o romance no qual a novela é inspirada, “Gabriela Cravo e Canela”, de Jorge Amado, retrata uma Ilhéus do início dos anos 1920. Durante a pesquisa, o caráter instintivo e selvagem da personagem conquistaram Juliana.
Com uma personagem tão natural em mãos, Juliana confessa que também teve de quebrar a timidez e a vergonha em gravar cenas sensuais. Personagens como a periguete Jaqueline, de “Celebridade”, ou a ambígua Creusa de “América” já tinham mostrado os atributos físicos da atriz, mas nenhuma com a exposição de Gabriela. “Aceitei o convite sabendo da liberdade de Gabriela. Por isso, deixo a vergonha em casa. Quando entro no estúdio, parece que baixa uma coisa em mim”, entrega.
Para a atriz, muito de seu empenho para “Gabriela” foi na tentativa de fazer um trabalho que servisse de resposta aos que criticaram sua escalação dentro e fora da Globo. A começar pela idade avançada de Juliana, que tem 33 anos, em relação à personagem escrita por Jorge Amado. “Não me abalei. Confiei no meu taco e segui em frente. Fui criticada, mas também elogiada. A própria Sônia Braga me mandou um recado supercarinhoso, me parabenizando”, gaba-se. Por orientação do autor, Walcyr Carrasco, e do diretor-geral da adaptação, Mauro Mendonça Filho, Juliana parou de assistir cenas do filme e da primeira versão da novela. Algo que não diminuiu sua inspiração. “De uma forma ou de outra, iriam comparar. Estou fazendo a Gabriela do meu jeito, mas não deixa de ser uma homenagem ao que a Sônia fez”, admite.
 

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