Revista Acontece Sul

ECONOMIA AUTOMOTIVA

Por Setor Automotivo - José Carlos Secco em Diversos - quinta, 07 de agosto de 2014


A Copa acabou..... E agora????

A Copa do Mundo de Futebol Fifa 2014 terminou e, por incrível que possa soar, o transporte coletivo em duas das principais cidades-sede, como o Rio de Janeiro e Curitiba, foi aprovado e classificado como bom. Em Curitiba, pela tradição e pelo histórico de investimento em mobilidade urbana, não chega a estranhar, mas no Rio de Janeiro, constitui-se em grata surpresa.

Ainda mais porque, pelo menos em termos de obras viárias, em todo o Brasil, grande parte não foi entregue no prazo ou de maneira completa, como o caso do sistema BRT da capital fluminense, o Transcarioca. Segundo dados do Portal da Transparência, os recursos contratados para as obras para a Copa do Mundo somaram R$ 23,45 bilhões, sendo R$ 15,6 bilhões em ações como mobilidade urbana, aeroportos e portos.

No Rio de Janeiro, o plano de mobilidade acabou dando certo, com ressalvas. O sistema Transcarioca, que liga o aeroporto Tom Jobim à Barra, foi aprovado pelos turistas, apesar de nem todas as estações estarem abertas ou operando. Em São Paulo, o metrô e o trem até a Arena Corinthians, em Itaquera, funcionaram, mas o engarrafamento nos dias de jogos do Brasil foi recorde. Em Belo Horizonte, o sistema BRT não foi entregue completamente, sem falar no desabamento do viaduto ainda em construção e que será ou seria usado pelo sistema. E em Brasília, foi entregue em operação, mas nas demais cidades-sedes muito pouco foi concluído, caso de Recife e Fortaleza, entre outros.

Diante deste cenário, no qual tivemos, segundo dizem, sete anos para nos preparar, fica a pergunta: as obras em andamento serão concluídas? Quando? E todo o desenvolvimento prometido em mobilidade urbana, quer seja em infraestrutura viária e nos veículos em operação, permanecerá como foco do Governo Federal, estados e municípios ainda mais no segundo semestre de ano eleitoral? Difícil crer.

Em especial para o Rio de Janeiro, eterno cartão-postal brasileiro e, a partir de agora, centro das atenções dos Jogos Olímpicos de 2016, faltam pouco mais de setecentos dias (não são sete anos, são menos de dois). Será a primeira edição dos jogos na América do Sul, com investimentos previstos de mais de R$ 36 bilhões, e das 52 obras essenciais, apenas 24 tinham valores e prazos definidos.

Serão 29 dias de eventos e competições, muitas ao ar livre, que reunirão cerca de 15 mil atletas de 200 países e público que pode chegar a mais de 7 milhões de pessoas. Com tanta gente circulando, um dos maiores desafios será a mobilidade. Para isso, todos os sistemas de transporte precisarão estar funcionando plenamente. E aí está o problema.

Dos quatro sistemas BRTs previstos, apenas dois estão operando e não em pleno funcionamento (Transoeste, inaugurado em 2012, e o Transcarioca, inaugurado pouco antes da copa). Faltam ainda o Transolímpico (que liga a Barra/Recreio ao Parque Olímpico de Deodoro), e o Transbrasil (que liga o parque olímpico ao centro da cidade), com início previsto para o final deste ano. Será quase R$ 1,5 bilhão de investimento, com previsão de entrega no início de 2016.

No Metrô serão R$ 10 bilhões, dos quais, R$ 1,2 bilhão já investido na Linha 1, mas faltam R$ 8,8 bi para a Linha 4, que vai até a Barra e deverá estar concluída também em 2016. Nos trens, será R$ 1,2 bilhão em 112 novas unidades. E no VLT do centro, mais R$ 1,1 bilhão e conclusão apenas em junho de 2016.

Somente nesses projetos são R$ 13,8 bilhões e nem foram incluídas todas as mudanças e alterações que esses novos sistemas de transporte, assim como outras obras, vão trazer para as ruas e avenidas da cidade e, consequentemente, para a mobilidade da frota de automóveis. Apesar de o prefeito Eduar­do Paes ter garantido que tudo estará em funcionamento e que nem será preciso decretar feriado, como ocorreu durante a copa, fica aqui a nossa torcida para que nestes poucos mais de setecentos dias que faltam todas as obras possam ser concluídas e que nada tire o brilho deste inédito evento, inclusive porque alguns de nós, com certeza, estaremos lá para participar, assistir e torcer pelo Brasil.

 

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