Revista Acontece Sul

Setor Automotivo

em Diversos - quarta, 10 de setembro de 2014


Investir e nos preparar para sermos mais competitivos

 

Vamos completar quase um ano desde que o mercado brasileiro de autoveículos iniciou uma curva descendente de produção e vendas. Neste período vimos muitas manchetes negativas e algumas assustadoras dos rumos que o mercado brasileiro poderia tomar. Como a de que, neste ritmo, vamos perder lugar para o México na produção mundial nos próximos anos.

Entendo a preocupação diária que todos nós temos em apresentar e alcançar os resultados planejados e também como os desafios ou os cenários incertos nos assustam. Mas será que não estamos mal acostumados e só queremos voar em “céu de brigadeiro”? Mesmo com o menor desempenho deste ano, estamos entre os cinco maiores mercados no mundo, atrás da China, Estados Unidos e Japão, brigando com a Alemanha pelo quarto e quinto postos. Como deve ser para a Alemanha, com a tradição, a indústria e a tecnologia que dispõe, disputar “mano-a-mano” conosco a quarta posição?

É verdade que o mercado brasileiro, de maneira geral, não está no mesmo ritmo de 2011, 2012 e 2013. Mas, mesmo assim, está muito acima do que tínhamos há alguns anos. Então, qual o motivo para tanto pessimismo ou alarde? Às vezes, acredito que nos acostumamos a chorar e reclamar nos menores obstáculos que se apresentam.

Por outro lado, tenho visto e ouvido alguns executivos e empresas, de Caxias do Sul e do outros lugares do Brasil, demonstrarem, neste momento, o seu foco no investimento e na busca pela formação, competitividade e produtividade. E me parece a melhor abordagem e solução. Em vez de lamentar ou entrar em desespero, o caminho mais indicado é, sem dúvida, a calma, o bom-senso e a aplicação dos recursos no aperfeiçoamento da nossa indústria, quer seja do nosso parque fabril quer seja da mão de obra. 

Como já vimos várias vezes, mais cedo ou mais tarde o mercado vai voltar a comprar em ritmo mais vigoroso e, se estivermos bem-preparados, poderemos aproveitar melhor esse momento futuro e colher frutos maiores, mais consistentes e duradouros. Algumas empresas fizeram isso na crise de 2008 e 2009 e alcançaram resultados expressivos.

Veja os mercados de ônibus e caminhões. Mesmo com todo o cenário ruim e a baixa nas vendas, estão cerca de 15% abaixo do melhor desempenho de todos os tempo e deverão fechar 2014, respectivamente, com 26 mil unidades e 150 mil unidades. Pouco? Não é pouco, somente menos do que poderia ser.

No caso do ônibus, 26 mil unidades no ano está longe de ser um recorde, mas é equivalente ao desempenho de 2009, sendo que naquela época o mercado interno representava menos do que representa hoje. O mesmo se aplica aos caminhões, segmento no qual há poucos anos o desafio era alcançar 100 mil ou 130 mil unidades/ano.

Não estamos nos nossos melhores momentos, mas construímos um mercado interno sólido, consistente e que, como mencionei antes, mais cedo ou mais tarde (torço para que seja bem cedo) voltará a demandar em ritmo mais forte.

Neste momento, quanto mais focarmos em nos aperfeiçoarmos e sermos mais eficientes e competitivos, melhor aplicaremos nossos recursos e tempo, mais preparados estaremos para qualquer situação de mercado (nacional ou externo) e mais rápido voltaremos à trajetória de crescimento.

Às vezes, penso que o nosso maior problema é que nos acostumados somente com os recordes sequentes de produção e vendas, e desacostumamos com o “vai-e-vem” da maré. Não há vento contra que sopre sempre em um único sentido. Não há mercado que não precise “tomar fôlego” para iniciar um novo ciclo de crescimento. Precisamos olhar para frente, aproveitar este momento atual para seguir trabalhando e aguardar preparados e confiantes a hora de voltar a colher os melhores frutos.

 

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