Revista Acontece Sul

CULTURA

em Diversos - tera, 09 de dezembro de 2014


Empréstimos

 

Amar, profundamente, nossas filhas e filhos é fácil. Basta lembrar a sua carinha inchada ou o seu primeiro sorriso. Perdoar, continuamente, as suas safadezas ou alguma adolescente falta de respeito, também, me parece fazer parte da tarefa materna. Até mesmo, nos erros mais graves, são as suas mães quem mais rapidamente os absolvem e se dispõe a ajudá-los a se levantar. Difícil mesmo é ter que gostar de filhos e filhas dos outros. Aqueles, que invadem lentamente a nossa casa tomando para si as nossas crianças. Chegam de mansinho, passam a ocupar um lugar a mesa e, educadamente, a opinar sobre assuntos, até então, da esfera estritamente familiar. E, justamente, nos momentos de discussões mais íntimos e acirrados passam a ser defendidos pelos nossos, sempre com unhas e dentes. Ora pois, quem estas criaturas estranhas pensam que são? Quem lhes deu o direito de escancarar nossas vidas revelando nossos pontos fracos? Como podem chegar querendo nos conquistar e, por vezes e sem mais nem menos, partir abandonando o barco e deixando a sofrer aqueles que mais amamos? Isto mesmo, eu estou me referindo aos genros e noras que de imediato nos transformam em sogras. 

Então, quando este momento chegar e intuirmos que este estranho no ninho pode vir a ser um bom presente reservado pela vida, certamente, será preciso agir com certa moderação. Uma total provação aos nossos instintos maternos de poder e mando. Enfim, por bem ou por mal, é preciso optar por ser mais uma sogra igual às personagens das mais famigeradas piadas ou não. Subverter o conceito da megera indomável caberá a cada uma de nós e a nossa esperteza natural. Dizem as sogras mais experientes, que o caminho mais sensato é da amabilidade, desprendimento, respeito e isenção, também, para com estes novos filhos e filhas. Eu, particularmente, digo novos e quase, porque acredito piamente que filhos e filhas serão sempre e apenas os nossos. Quanto à amabilidade, o respeito e o desprendimento, tudo bem. Mas, à isenção, não posso mentir e meus queridos genros sabem muito bem disto, pois em qualquer ocasião e sob qualquer circunstância serão as minhas filhas que eu, primeiramente, defenderei. E, sem nenhum problema, que suas mães também façam isto por eles. Um direito adquirido e um dever entregue a todas as Marias quando se fizeram mães.

Então, é Natal e Ano Novo! Época de famílias reunidas. Daquela que foi um dia e da que vai, gradativamente, se formando. Daqueles que não estão fisicamente presentes, mas se conservam na memória dos que ainda estão por aqui. Época de sensibilidades a flor da pele, de choros de saudade e de alegrias exacerbadas, de trocas, carinhos e presentes, tudo ao mesmo tempo, agora e sem filtros. Para alguns, uma época de enormes alegrias, para outros de uma imensa, desoladora e dolorosa solidão. De uma forma ou de outra, saúde, paz e harmonia, para os que crêem que a felicidade pode ser real ou que, de alguma forma, ainda será possível.

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