Revista Acontece Sul

ECONOMIA AUTOMOTIVA

Por Setor Automotivo - José Carlos Secco em Diversos - tera, 09 de dezembro de 2014


Otimismo, sim, mas com ressalvas

 

Depois da crise econômica mundial de 2008/2009, o setor automotivo brasileiro manteve firme trajetória de crescimento, com sucessivos recordes e com a conquista do quarto lugar entre os maiores mercados do mundo. Mas, este ano, a demanda caiu, as vendas recuaram quase 10% e assistimos a uma queda generalizada em todos os segmentos, automóveis, caminhões, máquinas agrícolas e também ônibus. E o que esperar de 2015?

Se tomarmos por base o segundo semestre de 2014 e, ainda mais os dois últimos meses, a expectativa para o próximo ano é de ligeira retomada. A média das vendas de veículos novos no Brasil em novembro foi acima da registrada no mês anterior, com quase 14 mil unidades por dia, segundo a Anfavea. “Se este ritmo se mantiver, o setor terá um 2015 bastante positivo, com retomada do crescimento”, afirmou o presidente da entidade Luiz Moan.

A aposta no crescimento tem como fator a possível retomada nos financiamentos de veículos novos por parte dos bancos, após a publicação de lei que facilita a retomada de veículos de clientes que não cumprirem prazos de pagamento. Com a nova regra, o processo de retomada de um veículo pelo banco que demorava entre 7 e 17 meses, deve cair para cerca de 3 meses, o que permitirá a redução do custo dos empréstimos. 

Outro fator positivo, segundo a PricewaterhouseCoopers (PwC) Brasil, é que a venda de veículos no Brasil explica-se em função de variáveis como preço, condições de financiamento e renda familiar no caso de veículos de passeio, e de PIB, rentabilidade agrícola e taxa de juros de longo prazo (TJLP) no caso de veículos comerciais. É esperado que o conjunto dessas variáveis volte a ser positivo para o mercado. Assim, pode-se esperar a recuperação das vendas e da produção a partir de 2015.

O que precisamos analisar é que 2014 representa o retorno aos níveis de produção de 2009. Ou seja, um retrocesso de cinco anos e que esta retomada não dá sinais de ser imediata ou vigorosa. Precisaremos galgar novamente os volumes produtivos já alcançados e apostar nos investimentos e em programas como o Inovar-Auto para ver a indústria automotiva brasileira voltar a ter a participação destacada no cenário mundial, como quarto maior mercado. Se depender dos investimentos e das operações de montadoras já anunciados, em breve, bateremos novos recordes.

Até 2015 a previsão é que estejam operando no Brasil 25 indústrias automotivas. Na região Sudeste o montante de investimentos previstos pelas montadoras até 2016 chega à casa dos R$ 30 bilhões, destinados à ampliação ou construção de novas unidades. Fora do eixo SP-RJ outros investimentos estão em curso. A alemã BMW acaba de iniciar a produção de automóveis na cidade de Araquari (SC). Já a chinesa JAC inaugura em 2015, no município de Camaçari (BA), as operações de sua primeira unidade no País.

Para alguns especialistas, a vinda de novas montadoras para o Brasil é um dos resultados esperados da nova política automotiva, o Inovar-Auto. Todo o investimento realizado na expansão da capacidade das empresas aqui instaladas, das novas montadoras, assim como em P&D e novos produtos, é positivo para o desenvolvimento da competitividade e da tecnologia da indústria brasileira. Isso possibilitará ao Brasil ter produtos de melhor qualidade para o mercado interno, o que também é necessário para as exportações.

O Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores, ou Inovar-Auto, é uma das políticas setoriais mais incisivas do setor. Criado em 2012, o programa prevê descontos de até 30% no IPI para empresas, sobretudo montadoras, cujo índice de nacionalização seja igual ou superior a 60%, e deverá atrair investimentos até 2018 de R$ 76 bilhões.

Se tudo sair como planejado e o Brasil voltar a crescer, mesmo com todos os desafios a serem superados, o futuro é animador. A previsão das montadoras é de que já em 2018 a produção nacional bata na casa de 6 milhões de veículos, sendo 4,5 milhões de vendas para o mercado interno.

 

Comentários