Revista Acontece Sul

Setor Automotivo

Por Setor Automotivo - José Carlos Secco em Diversos - segunda, 09 de fevereiro de 2015


Vítima injusta da insatisfação popular

 

Não podemos permitir e precisamos, como sociedade, dizer não, agir para evitar, mostrar nossa indignação e dar uma basta nos, cada dia mais frequentes casos de ataques a ônibus em quase todo o Brasil. O grande prejudicado é o passageiro que passa a contar com um transporte coletivo menos eficiente, com menos segurança, conforto e pontualidade.

O ônibus se transformou na verdadeira e injusta vítima das manifestações da população brasileira contra os mais diversos temas. De disputas entre facções criminosas a protestos contra abuso de violência e autoridade de policiais, até simples casos de processos de reintegração de posse. Qualquer motivo banal ou particular passou a ser pretexto para a queima ou depredação de ônibus.

Essas ações tiveram início no meio de 2013 e, se tornaram “lugar comum”, com novos episódios quase que diariamente. Somente em 2014 foram destruídos mais de 1.000 veículos, o dobro do registrado historicamente em dez anos - entre 2002 e 2012. Além disso, outras centenas foram danificadas – sem motivo justificável.

Isto não está certo, pois além do risco constante e direto à integridade física dos usuários, essas ações geram prejuízos de milhões de reais e contribuem para a diminuição da qualidade do transporte brasileiro. O pior é que a grande prejudicada é a própria sociedade, que depende direta ou  indiretamente do ônibus. Um ônibus queimado ou danificado além de não transportar os passageiros, causa transtornos graves ao trânsito e à mobilidade urbana.

E pensar que, de um momento para o outro, o ônibus passou de centro das atenções mundiais, na Copa do Mundo de Futebol, para vítima da irracionalidade popular. Em junho passado, mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo estavam ligadas na transmissão do jogo de abertatura do evento, referenciando um veículo de transporte, o ônibus, escolhido para transportar as 32 delegações das equipes de futebol. Hoje, esse mesmo símbolo é destruído por quem deveria preservá-lo.

Todas essas ações fazem com que os passageiros fiquem inseguros e temerosos em utilizar o transporte público, assim como os empresários e operadores de transporte deixem de renovar as suas frotas pelo risco de terem prejuízo financeiro ainda maior do que os já registrados. Os veículos destruídos este ano representam entre 3 e 5% da produção nacional anual, com perdas diretas na qualidade do serviço.

O ônibus é um importante elemento para o transporte coletivo nacional, não pode e não deve ser destruído banalmente. Mais ônibus e em perfeitas condições vão tornar o dia a dia do brasileiro melhor, mais seguro, confortável e produtivo.

 

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