Revista Acontece Sul

ARTE

em Diversos - quarta, 04 de maro de 2015


100 anos de IBERÊ CAMARGO

 

Um dos mais importantes artistas brasileiros, Iberê Camargo, gaúcho de Restinga Seca, completaria 100 anos em 2014, mas em 1994 despediu-se da vida, ocupando significativamente, um lugar na história da arte e deixando um legado artístico imortalizado em mais de sete mil obras catalogadas, a maioria pertencentes à Fundação Iberê Camargo (FIC), em Porto Alegre. 

Iberê Camargo foi autor de um conjunto de obras criadas em quase seis décadas, reverenciadas em inúmeras exposições no Brasil e em diversos países, somadas à participação nas Bienais de São Paulo, Veneza, Madri e Tóquio. Dos estudos em Porto Alegre, partiu para o Rio de Janeiro e com o Prêmio do Salão de Arte Moderna, em 1947, viajou para a Europa, se aproximando da arte do passado e estudando com os mestres e artistas Giorgio de Chiricoe André Lhote, entre outros. 

Artista que primava pela expressividade matérica, característica marcante do seu trabalho, percorreu por diferentes temáticas: ciclistas, idiotas, fantasmagorias e os carretéis, sempre presentes em sua memória como objetos de sua infância. Numa análise crítica sobre essa forma, Ferreira Gullar diz que “a necessidade de ordem e construção” é o que leva o artista a escolher o carretel, mas ainda assim “é um ser vivo, signo e símbolo de todas as suas vivências e inquietações”. 

Sua obra percorreu o século XX de maneira solitária, desvinculada de qualquer movimento artístico específico. Transitando pela gravura, desenho, pintura e guache, todas as técnicas trabalhadas pelo artista eram marcadas pela intensidade: no uso da cor, no excesso de camadas de tinta sobre a tela ena energia do gesto, como se tudo coubesse no movimento da mão. Na opção de fugir dos cânones acadêmicos desde o início da sua trajetória como artista, apresentou um processo criativo que não separava figuração de abstração. 

Dotado de um rigor técnico incomparável na produção de gravura em metal, depois de sua morte, esse legado artístico aproximou-se de artistas contemporâneos convidados anualmente a conhecer a essência do seu antigo atelier de gravura, na fundação que leva o seu nome. 

A Exposição IBERÊ CAMARGO SÉCULO XXI, com a curadoria de Agnaldo Farias, Icleia Cattani e Jacques Leenhardt, em cartaz até o final do mês de março na FIC, traz a afirmação de que passado e presente são relativos quando o assunto é arte e quando o artista é Iberê, num diálogo entre 19 artistas de diferentes gerações e uma seleção de obras do dono da casa.

Iberê Camargo foi um grande artista em vida e tornou-se uma fonte de investigações artístico-intelectuais após a sua morte. A criação da FIC, desde 1995, propaga o seu legado e o trabalho de outros artistas, através de grandes exposições nacionais e internacionais. Protegido pela arquitetura contemporânea do arquiteto português Álvaro Siza, desde 2008, seu acervo observa a paisagem à beira do Guaíba, e assim como o rio, encontra o horizonte, se expande e vai além.

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