Revista Acontece Sul

ARTE

em Diversos - sexta, 08 de maio de 2015


Sobre Curadoria

Curadoria é um termo familiar às pessoas que, de uma forma ou de outra, estão situadas nos diversos cenários da arte. Sem ser recente, também não é um termo antigo pois, historicamente, as ações que envolvem a curadoria são datadas da segunda metade do século XX, quando críticos, historiadores de arte e diretores de museus europeus e americanos assumem as funções referentes à “organização” de exposições. Essa organização exige algumas especificidades e o conceito de curadoria então, passa a ser mais recorrente.

Em outros cenários, ou mesmo para aqueles que costumam visitar exposições, mas não estão envolvidos diretamente no sistema da arte, não é uma palavra de compreensão imediata. Constantemente, escuto  questionamentos sobre o conceito de curadoria e sobre a função de um  curador, bem como associações verbais feitas entre a palavra e o “ato de curar” (em relação à área da saúde). Pode parecer estranho ao contexto, mas não é um equívoco, já que as palavras curadoria e curador vem do latim curare que significa curar, e no campo da arte traduz-se como “conservar” ou “cuidar” da obra de arte. Assim, o curador é aquele que “cuida” do trabalho do artista, investiga a produção, analisa e discute o processo de criação com o artista e constrói uma exposição. 

No sistema da arte, o curador é um profissional com conhecimento histórico,  artístico e estético que desenvolve uma crítica embasada na linguagem e no conceito que a obra manifesta, visando ampliar suas relações e/ou conexões com o público. A ação curatorial requer fundamentalmente o conhecimento amplo sobre a arte e principalmente, requer um olhar crítico sobre a produção artística que estará em evidência. Por isso, o curador geralmente é alguém com formação no campo teórico e crítico da arte. Eventualmente, a função do curador pode ser delegada a outros profissionais ou artistas que tenham conhecimento significativo sobre o conjunto da obra ou do artista em questão.

Conforme o curador brasileiro Cauê Alves, a curadoria “é um campo interdisciplinar que envolve noções conceituais, reflexão, tomada de partido, arquitetura, produção, montagem de exposição, design de interiores e gráfico, contabilidade, iluminação, conservação, setor educativo, editoração e publicação”. Ao curador cabe ter consciência de todo esse processo, mas, na prática, muitas vezes, pode ser atribuído à curadoria gerenciar uma série de ações que seriam de outros profissionais específicos, mas, por questões específicas que geralmente se apresentam sem outra alternativa, acabam recaindo sobre si, já que possui o domínio conceitual sobre a produção e pode se beneficiar desse conhecimento para otimizar também algumas tarefas executivas. 

Por fim, definir o fio condutor que permeia as ações, normalmente chamado de eixo curatorial, refletir sobre o trabalho, pensar nas possibilidades do título, produzir o texto que apresenta e conceitua a exposição e/ou definir a  cenografia do espaço expositivo também são ações que o curador cumpre para que o resultado recebido pelo público seja muito mais significativo do que uma simples exibição de obras de arte. 

 

 

 

Acontece em Arte


Ao escrever esta coluna, estava envolvida com a curadoria de duas exposições, de caráter bastante diferentes entre si: uma individual e a outra coletiva; uma de caráter abstrato, a outra figurativa. Duas curadorias com propósitos bem específicos. Convido você para visitar ambas:

oExposição Variáveis espaciais: paisagens abstratas, de Heloisa Corrêa -  de 06 a 30 de maio de 2015, na Galeria Municipal de Arte Gerd Bornheim, Rua Dr. Montaury, 1333, Centro, Caxias do Sul.

oExposição Entre o sol e a lua: traduções iconográficas franciscanas - de 08 de maio a 25 de setembro de 2015, no Museu dos Capuchinhos - MusCap, Rua General Mallet, 189b, Bairro Rio Branco, Caxias do Sul.


 

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