Revista Acontece Sul

Economia Automotiva

Por Setor Automotivo - José Carlos Secco em Diversos - segunda, 07 de dezembro de 2015

Conforto, pontualidade, segurança, status?

A cada dia que passa me convenço mais que a posição que decidi adotar há algum tempo é correta, sensata, eficiente e sustentável. Defendo e procuro promover o transporte coletivo.  Não que o ache satisfatório. Não porque o considero no nível adequado. E saibam que a cidade de Caxias do Sul é uma ilha de excelência em termos de transporte público perto do oferecido Brasil afora.

Defendo, promovo e sou partidário (apesar de ter nascido ao volante de um automóvel e aprendido a guiar com menos de nove anos) porque este é o melhor caminho para uma sociedade sustentável e que proporcione bem-estar à maioria. O automóvel vai sempre existir, divertir e apaixonar, mas não é mais um modal eficiente. É egoísta, poluidor e caro. Também perde os seus “apaixonados” a cada nova geração, pessoas ligadas em outros ícones.

Estive, recentemente, na Busworld, o mais importante evento do setor do ônibus em todo o mundo, e vi que, por mais atrasados que estejamos, muitos dos desafios continuam comuns a eles e a nós, brasileiros. Por incrível que possa parecer, eles lutam para promover ainda mais o transporte por ônibus, sobretudo entre os mais jovens, para alcançar zero emissões nos centros urbanos e para fazer com que o ônibus tenha apelo e ambiente mais acolhedor e interativo.

A luta é dura, longa e eles estão muito anos à frente. Mas temos, então, que aproveitar essa distância e não cometer os mesmos erros e encurtar caminhos. Se vissem o interior de um ônibus urbano hoje na Europa... Ele está muito mais para os nossos rodoviários do que para os urbanos atuais. Conectividade, poltronas confortáveis, piso baixo, silêncio (motor traseiro ou veículos elétricos/híbridos), nada de trancos ou solavancos devido ao treinamento dos motoristas e à transmissão automática. Pontualidade britânica no cumprimento dos horários. Se vai passar às 12h02, não é 12h01 e nem 12h03. Dá para programar o cinema, o jantar e até mesmo simplesmente desfrutar da pontualidade.

O que precisamos é nos pronunciar, nos fazer ouvir e exigir que, se querem que deixemos o carro em casa ou o utilizemos menos, é preciso um transporte coletivo atraente, eficiente, convidativo e que nos convença.

Cheguei da Europa e peguei um voo para Caxias do Sul. Não desceu em Caxias e fui para Porto Alegre. Peguei um ônibus da companhia aérea para chegar ao meu destino. Não tinha wi-fi. Não tinha tomada de energia. Não tinha nem água gelada. A geladeira era simplesmente um armário ou depósito de água quente. Não trabalhei. Não me entretive, não vi um filme ou tomei água fresca. Me senti perdendo duas horas. Assim, nunca vou conseguir preferir ou optar pelo transporte coletivo.

Espero que o pessoal responsável pelo traslado de Porto Alegre para Caxias leia este artigo e se conscientize do papel que tem para promover o transporte coletivo e, consequentemente, a sustentabilidade, o bem-estar para fazer que mais pessoas acreditem que é possível.

Eu continuo acreditando e apostando que todos sairão ganhando.

Comentários