Revista Acontece Sul

Ideias mínimas

Por Cultura - Mara De Carli Santos em Diversos - segunda, 07 de dezembro de 2015

Já faz algum tempo que escrevo para esta revista. Algo que se iniciou com o objetivo de efetuar convites a diferentes pessoas ligadas à cultura para que estas, mensalmente, ocupassem este espaço. Em determinado momento, porém, a vida agitada de todos e o necessário cumprimento de datas me deixaram num impasse: ou agradeceria o gentil convite e encerrava a coluna ou assumiria eu mesma este espaço, mesmo estando consciente dos parcos recursos lingüísticos que tenho. Decidi, então, que escreveria escolhendo um assunto acadêmico e que trataria dele com total imparcialidade. Neste caso, os livros da minha pequena biblioteca e, especialmente, um Ctrl+C e um Ctrl+V no Sr. Google seriam os meus maiores aliados. Aparentemente, tudo estaria facilmente resolvido já que, entre verdades e mentiras, uma pesquisa mesmo que superficial e a disponibilidade constante desta ferramenta virtual me forneceriam todas as chaves que abririam todas as respostas para todas as possíveis perguntas.

Entretanto, para minha aflição e pela minha própria natureza opinativa, este procedimento durou poucos meses. Passei a me questionar a quem interessava o que eu estava escrevendo. Que tipo de surpresa, humor ou mensagem estes textos poderiam conter? Conclui que agindo assim, esta seria mais uma tarefa cotidiana que gradativamente perderia o desafio e, portanto, a graça. Então, agarrada à conquista deste espaço, mas totalmente instável emocionalmente, escrevi o meu primeiro texto usando a primeira pessoa. De lá para cá, faço isto todos os meses não porque acho a minha vida ou histórias fascinantes, mas simplesmente porque assim posso dizer o que penso e a que venho.

Pois, o último texto do ano é, para mim, o mais difícil e complicado. Sempre! Aquele em que todas as falas podem se tornar palavras ao vento e que, a exemplo de promessas não cumpridas, tornarem-se inúteis, não servindo para nada. Então, a minha vontade é de encher a página apenas escrevendo Feliz Natal e Próspero Ano Novo escolhendo uma boa imagem que fale por mil palavras.

Mas, como isto é absolutamente impossível, abdico da minha vontade de ficar muda e frente a este mundo de novos êxodos bíblicos, de guerras em nome da fé, de crises econômicas e sociais devastadoras, de políticas amorais e anti-éticas, de egoísmo, individualismo e individualidades exacerbados, escrevo desejando que sobreviva a generosidade, como uma garantia de que um dia se possa com ela estabelecer uma paz efetiva e duradoura.

Por hora e com a noção exata de que, cada vez mais, sei que nada sei, desejo a todos um final de ano tranqüilo e sem sobressaltos. E para os que puderem, espero que desfrutem de belos dias ensolarados e maravilhosas férias.

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