Revista Acontece Sul

Arte - Mais Arte, por favor!

Por Arte - Silvana Boone em Diversos - quarta, 09 de maro de 2016

O mês de março é o mês do recomeço. Tudo reinicia agora, após as férias e o carnaval. E é quando acontece a volta às aulas em todas as instituições de ensino. 
Pensando nisso e na importância que a arte tem para o contexto escolar, lembrei de uma notícia de 2013: o diretor de uma escola pública de ensino médio, em Boston, nos EUA, resolveu trocar todos os agentes de segurança da escola por professores de arte. O colégio Orchard Gardens, marcado por um alto índice de violência nas salas de aula, fez uma troca ousada: substituiu as armas escondidas nas mochilas dos alunos por lápis, pinceis, tintas, instrumentos musicais e oportunizou a esses, diferentes formas de criação através da arte. Os corredores viraram painéis de exposição, a orquestra, do projeto antigo da escola voltou a existir, e a instituição reencontrou o seu objetivo original, a educação.
Retomei este fato porque, longe de ser uma utopia, ele é um exemplo de como a vida das pessoas pode ser transformada através da arte. Existem outros exemplos, mas talvez, nenhum tão radical a ponto de colocar a arte como responsável por uma mudança social que implica na responsabilidade da segurança de um grupo. Ação que motivou individualidades criativas e acabou atingindo o todo. A possibilidade da segurança foi trocada pela conscientização, partindo de um olhar mais atento sobre o os próprios alunos e com isso, dando espaço à criação. 
Vale acreditar que a arte pode mudar as pessoas, que o potencial criativo de cada um pode transpor barreiras inimagináveis e que em todas as áreas do conhecimento, ser criativo é fundamental. Não se trata de ser artista, estudar ou colecionar arte, mas sim, de tornar a arte uma parte integrante do seu universo cotidiano. Dar forma, construir, provocar o pensamento, ampliar o olhar sobre o mundo são algumas das características presentes no contexto da arte e da sua aprendizagem, e podem transformar o pensamento de alguém, ou de uma comunidade inteira.
Ao iniciarmos mais um ano de atividades escolares e acadêmicas, tomemos por exemplo essa escola: que possamos trocar armas por pinceis, violência física por abraços, palavras grosseiras e malditas por poesia. E ao olhar para o ano que se inicia e aguardar o que vem pela frente, seguem as palavras dos filósofos Alain de Botton e John Armstrong: “A arte é uma imagem de um destino: indica para onde deveríamos ir. E também pode dar algumas pistas para chegarmos lá”.

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