Revista Acontece Sul

Economia Automotiva - Precisamos cuidar da mobilidade, a nossa

Por Setor Automotivo - José Carlos Secco em Diversos - quarta, 09 de maro de 2016

Não podemos nos comportar como a economia brasileira e estagnar

 

Há muito ouço e também falo sobre a mobilidade. Neste caso, refiro-me à urbana, no sentido literal da palavra. Mas entendo que o tema mais atual para reflexão é o estado de completa falta de mobilidade em que nós, brasileiros, ou parte significativa da população, entramos e estamos.
A crise existe. É grave, séria e afeta em especial o setor automobilístico. Nunca se vendeu tão pouco em comparação com o tamanho do mercado. Não estávamos acostumados a essa realidade. Desacostumamos a ver as linhas de produção tão vazias.
Muito ligado ao setor automotivo, o polo industrial de Caxias do Sul está enfrentando graves problemas (assim como os de Gravataí, São Bernardo do Campo, São José dos Campos, Curitiba e outros onde estão localizadas as principais montadoras de veículos do País). E pior, esse cenário não sofrerá melhoras sensíveis no curto prazo. Até aí nada de novo.
O novo está em enxergar as oportunidades que existem em momentos tão críticos como este. Uma dessas oportunidades é, como mencionei, cuidar da nossa mobilidade. Não podemos parar. Não podemos desistir e não podemos perder o foco. A crise vai passar. Se estaremos entre as vítimas, não sabemos, mas não podemos perder tempo parados, esperando o pior, contemplando o que não temos domínio (porque é muito maior do que nós) e deixar de fazer o que está ao nosso alcance, que é enxergar e aproveitar essas oportunidades. E isto sim está no nosso domínio.
Para um polo industrial pujante, forte e qualificado como Caxias do Sul, a oportunidade está em focar na excelência, na qualidade, na produtividade. Esta é a hora para ser o mais eficiente possível, em fazer certo desde a primeira vez, em não desperdiçar. O momento não permite (aliás, nenhum momento permite mais o desperdício, o retrabalho e a ineficiência).
A conta é simples: são poucos os clientes compradores. Esses poucos que estão investindo estão mais exigentes e críticos do que quando a demanda está aquecida. Com isso, se o produto entregue não está perfeito, eles simplesmente não vão mais comprar (pelo menos não daquela empresa). Daí, menos produção, menos venda e mais flexibilização de jornada, demissões e prejuízos.
Precisamos quebrar esse círculo vicioso - menos vendas, menos produção e mais flexibilização de jornada, demissões e prejuízos - e iniciar o círculo virtuoso: qualidade, excelência, satisfação e fidelização do cliente, mais vendas, mais produção, contratação e lucro.
Fico assustado com o que tenho ouvido e, por isso, afirmo que a crise além de política e de credibilidade é também de esperança. Sim, faltam verdadeiros líderes, mas sabemos qual é a nossa parte a ser feita e é neste pedacinho que recomendo que foquemos. O que está acontecendo é que os profissionais estão mais preocupados com o amanhã e não dedicando a devida atenção ao hoje. O hoje para Caxias é produzir com qualidade total, fazer (mesmo pouco) com a máxima excelência e eficiência.
Quando o mercado está “bombando”, o excesso de demanda é a desculpa para a queda do padrão de qualidade. Mas o cliente compra mesmo assim e ninguém perde o emprego. Então, agora, deveríamos dar show neste quesito, pois com o ritmo (bem) mais lento da economia, sobra tempo para que cada produto saia da linha perfeito. Zero falha, zero retrabalho, zero desperdício.
Aí sim estaremos aproveitando a oportunidade do hoje! Assim estaremos fazendo a nossa parte para que o País possa sair o mais cedo possível da crise e, nós e nossas empresas, mais fortes e melhores.

 

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