Revista Acontece Sul

Setor Imobiliário - Uma nova matriz produtiva e novos rumos para novos tempos

Por Sem colunista em Diversos - quarta, 09 de maro de 2016

A economia caxiense, sobretudo na sua matriz produtiva, precisa ser avaliada e repensada, com vistas a preparar uma condição melhor para o futuro. Em recente pesquisa realizada pela Qualytool Consulting Group, ficou evidente o potencial empreendedor de nossa cidade, que conta com mais de 62 mil empresas (um CNPJ para cada 7,47 habitantes). Particularmente em momento de instabilidade, tivemos mais de 5 mil empresas abertas em 2015. Entretanto, também ficou clara que a dependência do setor metal mecânico ainda é grande, que movimenta 45,9% dos empregos e 36,1% do faturamento.
Temos uma região de gente que luta e que sabe como transformar trabalho em sucesso. Mas essa gente que soube superar inúmeros desafios, outrora impostos pela natureza, atualmente os percebe impostos por gestões de governos estaduais e federais incapazes de reconhecer nossas demandas como prioridade. Certamente nós também nos acomodamos na zona de conforto dos índices de crescimento elevados, que se revelaram artificiais e ilusórios.
Temos altos custos de logística, altos custos de mão-de-obra e enfrentamos uma burocracia que só os mais teimosos e obstinados conseguem vencer, não antes de perder um bocado de tempo e paciência com as idas e vindas a tantos órgãos especializados em acabar com o bom humor de qualquer cidadão trabalhador.
Mas detectar problemas é apenas uma parte do processo de transformação. É necessário focarmos nas soluções se quisermos mudar. Mais do que isso: mudar as coisas na sociedade depende de toda sociedade, não apenas do setor público. Devemos exigir, cobrar, protestar – mas, sobretudo, agir. 
Será que nossas empresas e nossa sociedade estão preparadas para a chuva de tecnologia que recebemos todos os dias? E para as galopantes mudanças globais? E para as transformações nos negócios e na vida de toda cidadania?
Apresentei recentemente ao Presidente da CIC, Sr. Nelson Sbabo, uma série de sugestões que, entendo, podem contribuir de modo decisivo para respondermos e acessarmos um novo ciclo na economia de Caxias do Sul. 
Dentre elas destaco, de modo resumido:
• Estruturar uma comissão permanente, formada por profissionais de entidades públicas e privadas, bem como políticos locais que ocupam postos importantes, com a finalidade de estudar nossa atual matriz produtiva, os gargalos logísticos e todos os fatores que impactam na competitividade local.
• Mediante parcerias, promover pesquisas e ações voltadas ao desenvolvimento tecnológico e à inovação, com vistas às diferentes áreas foco.
• Definir estratégias e ações junto aos setores produtivos e setor público, envolvendo não apenas área econômica e empresarial, mas também educação, saúde, capacitação de pessoas, desenvolvimento científico, urbano e social.
• Aplicar a esse processo algum programa de qualidade (exemplo: PGQP) ou programa Cidade Criativa, agregando uma estrutura para o desenvolvimento de projetos.
• Viabilizar na prática a região metropolitana da Serra.
• Agir organizadamente junto a nossos representantes nas instâncias de governo, e mesmo junto a entes privados nacionais ou internacionais, a fim de viabilizar os recursos necessários aos investimentos.
• Criar um sistema de indicadores, monitorar e agir, revisando periodicamente.
Devemos agir pensando não apenas no curto prazo, mas também no médio e longo prazos. As mudanças e as rápidas inovações tecnológicas, bem como estruturais na sociedade brasileira e mundial, exigem de nós uma resposta. Nós temos plenas condições de dar essa resposta, unidos e organizados.

 

                                                                                      Fernando Gonçalves dos Reis
                                                                                      Presidente da Assimob, Vice-                                                                                         Presidente da Associação                                                                                              Brasileira do Mercado Imobiliário                                                                          (ABMI) e Sócio-Diretor da Prolar Imóveis

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