Revista Acontece Sul

O Velho Chico com Antônio Fagundes

Por Sem colunista em Diversos - sexta, 08 de abril de 2016

Novelas de sucesso já foram muitas. E mesmo após anos de carreira, Fagundes ainda é chamado por muitas mulheres de galã. Em relação a este assunto, percebe-se pouca vaidade. Como sempre, seu foco é o trabalho e pouco se comenta sobre sua vida pessoal. “Estou muito bem, graças a Deus”, limita-se. “Eu fiz muitos trabalhos gostosos em todos os gêneros. Eu fui de “Carga Pesada” a “Dancin’ Days”, “Vale Tudo” e depois “Renascer”. Eu fiz comédia também. Eu tenho um prazer muito grande de poder trabalhar, e como eu disse antes, quero acertar, mas às vezes o público gosta ou não. O princípio do trabalho de nós atores, é fazer o melhor possível”, diz. 
Apesar de não responder, se escolhe os personagens que lhe são sugeridos, Fagundes diz ter muita sorte nos projetos que aparecem. “Se você reparar em tudo que eu fiz, especialmente na televisão, vai perceber que sempre tive muita sorte! Todos os meus personagens foram muito adequados e deram bons resultados. Por enquanto, continuo com sorte e as pessoas continuam me chamando para fazer bons papeis”, comenta. 
Confira agora, um papo descontraído com esse ator que não se deslumbra com o sucesso, mas com a capacidade de emocionar através de seus personagens. 

 

Revista Acontece: Essa não é a primeira vez, que você e o Rodrigo (Santoro) fazem o mesmo personagem, em fases diferentes de uma novela (A Dona da História, 2004). Como foi esse reencontro?
Antônio Fagundes: A novela começa no finalzinho dos anos 60 e chega até os dias de hoje, que é justamente quando eu entro em cena no lugar do Rodrigo. Logo de quem né?! Eu disse pra ele que: “Eu sou você amanhã e sinto que o tempo te maltratou bastante pra chegarmos neste ponto (Risos)”. Vou assistir atentamente o que ele já fez, pra extrair o máximo. Quero aproveitar muito do talento dele. 

RA: Os anos passam e você continua galã com uma mulher linda (Alexandra Martins). Você se considera um homem ciumento?
AF: Que bom! Não sou não! Estou muito bem, graças a Deus! Eu acho que o ciúme deve machucar muito as pessoas. Estou parecendo o Eduardo Cunha (Risos). “Velho Chico”, seria uma novela das seis da tarde, mas foi para o horário nobre. Um dos motivos seria porque o público quer um pouco do tradicional. 

RA: Esse tipo de dramaturgia faz falta?
AF: Já faz um tempo que este tipo de novela, de temática e ambiente, que é escrita pelo Benedito (Ruy Barbosa, escritor), e também com a direção do Luiz Fernando (Carvalho, diretor) não aparecia no horário das nove. Ele fez “Renascer” (1993) e “O Rei do Gado” (1996). É uma belíssima lembrança da televisão. O público deve estar sentindo falta sim, de algo um pouco menos urbano. O tempo realmente voa e eu não imaginava que fosse uma sequência tão longa de novelas urbanas. Eu acho ótimo poder sair de um ambiente, e passar pra outro, mesmo que seja nos dias atuais. Dá um frescor, um respiro calmo e gostoso, uma sensação de novidade, porque são cores, formas e ângulos diferentes de discutir temas comuns na vida de qualquer pessoa. Até porque, nós podemos ousar um pouco mais no romantismo, com este tipo de temática, do que com outras. Vamos sair um pouco dessa, digamos, crueza que temos da análise da realidade urbana, que talvez seja até mais violenta, forte e mais intensa do que as novelas urbanas, mas num outro universo. 

RA: Você diria que este tipo de dramaturgia é sua preferida?
AF: Eu fiz muitos trabalhos gostosos em todos os gêneros. Eu fui de “Carga Pesada” (2003) a “Dancin’ Days” (1978), “Vale Tudo” (1988) e depois “Renascer” (1993). Eu fiz comédia também. Eu tenho um prazer muito grande de poder trabalhar, e como eu disse antes, quero acertar, mas às vezes o público gosta ou não. O princípio do trabalho de nós atores, é fazer o melhor possível. 

RA: Durante sua resposta numa pergunta, você comentou que estava se sentindo um “Eduardo Cunha”. De alguma maneira ele serve de inspiração para o seu personagem?
AF: Sinceramente, eu não sei se vai ter algo do tipo, mas espero não ter que me inspirar nele não! Vamos observar pra que lado o escritor levará o meu personagem. Como eu já disse antes, não consegui ler nada sobre a segunda fase da novela. Eles ainda estão escrevendo. Não sei pra onde o personagem vai. Infelizmente, eu não tenho muitos detalhes. 

RA: Você disse que o que o motivou a aceitar o convite foi a oportunidade de trabalhar, mais uma vez, com o Benedito. Você é o tipo de ator que recusa personagem ou o que aparece você aceita?
AF: Se você reparar em tudo que eu fiz, especialmente na televisão, vai perceber que sempre tive muita sorte! Todos os meus personagens foram muito adequados e deram bons resultados. Por enquanto, continuo com sorte e as pessoas continuam me chamando para fazer bons papeis. 

RA: As pessoas costumam dizer que você é como “pé de coelho” do escritor. Como você encara esses fatos?
AF: (Risos). Este coelho tem muitos pés, porque nós temos também o Luiz Fernando, e um elenco maravilhoso. Especialmente nesta primeira fase. Eu vi algumas cenas e tem sido extraordinário. Vou fazer novamente uma novela com a atriz Christiane Torloni, que é um par ativo e uma pessoa que eu adoro. Então este coelho terá umas duas mil patas, se Deus quiser! 

RA: Após estes anos, como você classificaria trabalhar ao lado do Benedito?
AF: Ele é meu irmão, meu companheiro, mora no meu coração e eu adoro o que ele escreve. Quero fazer todas as novelas que ele puder me mandar. Eu nem pergunto sobre o personagem, mas por sorte, ele manda eu escolher. Nós fizemos muitos trabalhos bons e importantes juntos. É sempre um prazer! Fizemos “Meu Pedacinho de Chão” (2014) até pouco tempo. Espero que ele sempre lembre de mim.

RA: Você tem contato com o seu público através das redes sociais? 
AF: Eu sou analfabites. Não tenho nada! Graças a Deus! 

RA: Você comentou sobre a novela “Meu Pedacinho de Chão” onde seu filho bruno participou, e no teatro vocês também fizeram uma parceria. Como você descreveria essa experiência?
AF: Nossa relação é muito calma, tranquila, cordial e afetuosa. Quando pensamos no lado profissional, esquecemos da relação entre pai e filho. O Bruno olha pra mim como um profissional, da mesma forma que eu olho pra ele. Nos conflitos de gerações, por exemplo, o Bruno ouve músicas que eu odeio. Eu tenho certeza de que algumas que eu ouço, ele também não gosta (Risos). Este conflito, naturalmente existe, mas não depende do fato de ser pai e filho. 

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