Revista Acontece Sul

SEM FORMAÇÃO, TRANSPORTE COLETIVO NUNCA SERÁ ESCOLHA

Por Setor Automotivo - José Carlos Secco em Diversos - tera, 10 de maio de 2016

É fundamental o investimento em formação e educação dos condutores

 

Oveículo automotor está sendo automatizado cada vez mais. A sociedade mundial prepara-se para, a partir de 2018, conviver fortemente com os carros autônomos (sem motoristas). Várias montadoras estão em fase adiantada de desenvolvimento de seus modelos e, em abril, foram realizadas duas corridas, uma na China, em um trajeto de quase dois mil quilômetros entre as cidades de Chongqing e Pequim, e outra na Europa, entre Paris, na França, e Amsterdã, na Holanda.
As montadoras internacionais também trabalham há algum tempo, mas com menor intensidade e urgência, em caminhões e ônibus autônomos, já testados nos Estados Unidos e Europa. Mas, neste caso, a realidade está bem mais distante, o que é uma pena, pois seria um grande passo para a elevação dos padrões de qualidade, segurança e conforto nas viagens de ônibus urbanos.
Seria muito importante para a difusão maior e mais rápida do transporte coletivo público, principalmente em mercados de cultura como a brasileira, que a viagem de ônibus nas cidades deixasse de ser desconfortável, insegura, intranquila e agressiva, e passasse a oferecer padrões aceitáveis, sem trancos e solavancos, frenagens e acelerações agressivas, que colocam em risco o usuário e também pedestres, motociclistas, ciclistas e passageiros dos demais veículos.
E aí está o grande paradoxo. Estamos mais perto do transporte individual autônomo, com carros como o da Google, do que da disseminação, padronização, qualificação e aceitação do transporte coletivo urbano, em que pese toda a sua adequação e necessidade para o futuro da sociedade e da nossa mobilidade.
O transporte coletivo nunca vai “decolar” se não for dado para a formação e educação dos condutores o mesmo esforço que vem sendo dedicado a criar um “cérebro” ou “piloto” para conduzir o carro autônomo. Para que possa se tornar escolha e a opção número um dos usuários é preciso mudar completamente a maneira e a cultura de condução.
Por mais a favor do transporte coletivo que um cidadão possa ser, é impossível optar pela viagem de ônibus de tão desagradável, insegura e agressiva que é, sem falar em aspectos como pontualidade e frequência. Assim, só anda quem é obrigado ou não tenha outra opção. Ele não é escolha.
O início de funcionamento do SIM Caxias é um pequeno, mas eficaz exemplo e oportunidade para transformar o transporte coletivo em escolha e não falta de opção. Tão importante quanto a qualidade das vias, dos veículos e da divulgação e conscientização dos seus objetivos e benefícios para a comunidade está a qualidade e formação do condutor. Ele tem e terá papel fundamental no seu sucesso, proporcionando uma experiência mais agradável para o passageiro, garantindo maior eficiência e segurança no trânsito, sem acidentes ou ocorrências com os demais veículos. O mais surpreendente é que, no caso de sistemas como o SIM Caxias, perto de todos os recursos aplicados no hardware, os investimentos no software são infinitamente menores e com respostas praticamente imediatas. E isto por que o transporte coletivo de Caxias do Sul é um dos melhores do País. Imagine como é e ao que está exposta a comunidade de outras cidades.

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