Revista Acontece Sul

Cultura

Por Cultura - Mara De Carli Santos em Diversos - sexta, 18 de agosto de 2017

SORBILLO

Viajar é como sorvete, você deve tomar se gosta escolhendo o sabor e o tamanho sem levar em conta a opinião ou as criticas alheias. Para mim, foi bem assim quando escolhi Nápoles ou Napoli, como os italianos a chamam. Desejava conhecê-la havia muito tempo e no meu imaginário a sua escolha tornaria mais interessante um roteiro. Ao invés disto, passei a ouvir da grande maioria das pessoas que fazer turismo naquela cidade é uma grande bobagem. Que ela é suja, confusa, caótica, de povo adepto do trambique e exageradamente gritão.  Mesmo assim, como impera a teimosia, fui. Aliás, fomos, meu marido e eu. no último abril. Mesmo apreensivos com Nápoles, saímos em férias com uma expectativa positiva, afinal depois dela iríamos à Ilha de Malta, uma unanimidade de excelência, finalizando em Roma, um lugar que não se discute. 
Ao chegarmos a Nápoles, em um sábado bem próximo do meio dia, meu coração batia forte e eu só pensava em como iríamos passar os seis dias de estadia. Puxa vida! Eu havia insistido tanto para vir. E se a cidade fosse mesmo tudo aquilo que me disseram? E se ela fosse realmente uma droga? No aeroporto tudo transcorreu normalmente, bem como no trato com o taxista. No trajeto havia sujeira e lixo na rua, mas nada que já não tivéssemos visto por aqui, e no hotel fomos recebidos com uma cordialidade espantosa. Uma primeira impressão que nos deixou mais aliviados, mas até aí só havíamos tido contato com situações para turistas. Com as malas deixadas no confortável quarto do hotel saímos para um primeiro contato com a rua. Vimos imediatamente que a cidade é realmente muitíssimo suja, totalmente confusa e extremadamente caótica. Que o título e o rótulo dado a ela são indiscutivelmente merecidos. Então, lá se foi a nossa primeira boa impressão. E agora, o que faremos nos próximos dias?
Entretanto, em poucos minutos de caminhada achamos uma pequena banca de frutas, daquelas que só na Itália se encontra. Época de morangos enormes e doces, de alcachofras pedindo para serem degustadas e limões sicilianos amarelos e cheirosos. De cara o sorriso franco do dono da tendinha e a conversa alta e de gestos largos de dois homens que tomavam um bicchieri di vino sentados no fundo do estabelecimento, como se em sua casa estivessem. Então, de cara caiu por terra o conceito de povo desagradável. De cara esquecemos a sujeira e a confusão. De cara se estabeleceu uma sensação de pertencimento. Seguindo em direção ao centro histórico via Rua del Tribunali achamos uma primeira igreja e nela eu vi um esplendido Caravaggio. Então, de cara entendi que Nápoles é como o sótão ou o porão de uma velha casa, que se você não tiver medo de insetos, teias de aranha, umidade e poeira o lugar pode lhe proporcionar a descoberta de tesouros precisos. Mas, como naquelas alturas já anoitecera e o cansaço tomava conta decidimos nos atirara na primeira pizza e no primeiro vinho da região do Vesúvio. Um bom vinho, mas que pizza! Pedimos uma, ao final comemos duas. Após uma breve e necessária caminhada, a cidade ainda nos presenteou com uma confeitaria maravilhosa com suas codinas e café. A partir de então e totalmente permeáveis fomos sendo conquistados. Entendemos que se nos deixássemos levar sem conceitos pré-concebidos poderíamos descobrir uma cidade cuja aparência literalmente engana. Então, descoberta após descoberta, foi assim que passamos os dias. Uma lista infindável de lugares arrebatadores, dentro da cidade e no seu entorno. Das ruínas de Herculano a Pompéia, esta última um capítulo a parte, da Ilha de Capri a Costa Amalfitana, do Museu Arqueológico até as pizzarias, a tudo se chega facilmente. E se você ainda se dispuser, poderá apaixonar-se por Napoli de forma inimaginável.

 

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