Revista Acontece Sul

ZECA CAMARGO, O APRESENTADOR CAMALEÃO

em Diversos - tera, 19 de setembro de 2017

Jornalista, apresentador, e recentemente ator na série “Os Dias Eram Assim”. Como foi essa experiência? É a primeira vez que você faz um trabalho como esse?
Eu fiz um trabalho como ator, em 1994 (Futebol), numa peça de teatro com direção da Bia Lessa, e no elenco havia, Maria Luísa Mendonça, Carlos Moreno e Geórgia Gomide. Essa foi minha única experiência atuando. Já se passou mais de vinte anos, então dá pra entender (risos). Adoraria trabalhar um personagem, mas fiz um apresentador de Festival de Música, ou seja, não é muito diferente do que eu já faço. Já apresentei vários festivais, espalhados pelo Brasil, já estou acostumado. O que eu achei um barato, é a metalinguagem, porque foi um programa de televisão, dentro de uma novela. Eu adorei a ideia. Já vivi muito esses bastidores, e na época do “Vídeo Show”, eu circulava bastante, mas sempre do lado de cá da câmera. Foi muito divertido. 

E como surgiu o convite para participar dessa peça de teatro?
Pergunte a Bia Lessa, que foi corajosa (Risos) em me convidar. Ela me ligou pra participar de um ensaio, quando cheguei, estava a Maria Luísa Mendonça, que pra mim é um monstro sagrado, maravilhosa. Não sei se ela estava fazendo uma improvisação...  Encostei na parede e pensei: “Não sei fazer isso”. Fiz curso de teatro, e acho que até me ajudou. Já dancei também, o que não é segredo pra ninguém. O que me permitiu, talvez ter uma linguagem corporal, mas com trabalho de interpretação...  Participar de “Os Dias Eram Assim”, é uma deliciosa brincadeira que eu topei fazer, justamente porque é um compromisso pequeno. E sobretudo, entrar numa história que é muito importante pra mim. 

Você costuma acompanhar as novelas?
Sou noveleiro! Nós crescemos com isso. É uma tradição! E essa série é especial, porque faz parte da minha história. Sou da idade dessa garotada, e vivi tudo isso. Não tão ativamente, até porque eu era uma criança nos anos 70. Pra mim, é muito fácil criar pontos de identificação com a história. Claro que, não estou sozinho nessa geração, mas seria complicado se eu tivesse que fazer um personagem, e participar de uma trama. Eu teria que ter um bom diretor. Na verdade, eu seria um desafio para ele (risos). São tantos anos no jornalismo, que acabamos aprendendo que o personagem é você. O elogio que eu mais gosto de ouvir das pessoas é elas dizendo que sou igualzinho como na televisão. É claro que não sou exatamente aquele que está lá, mas sou muito transparente no meu papel de jornalista. É diferente quando você tem, ou ouve histórias, de que as pessoas acham que seu personagem está muito malvado em determinado trabalho. Esse tipo de desnível não acontece comigo.  

Você já apresentou diversos formatos de programas, inclusive o “Fantástico”, e quando você decidiu sair, todo mundo se espantou. Tudo isso se deve por ser uma pessoa muito inquieta?
Esse é era um desejo muito antigo, e muitas pessoas acharam que foi surpresa, mas na verdade o processo já vinha acontecendo desde 2011. Nesse ano, eu já havia feito 15 anos no “Fantástico”. Ou seja, eu já tinha uma visão de que as coisas poderiam mudar. Nessa época justamente, deixei o programa, quando completei 50 anos. Percebi que era hora, justamente falando um pouco sobre a zona de conforto. E tem muito a ver com as propostas. Elas foram surgindo, e foram extremamente generosas, caminharam de um jeito, e recentemente, nós comemoramos dois anos do programa “É de Casa”. Quem diria...  Uma incógnita, porque era um programa novo, que começou de um jeito, que nem nós sabíamos o que ia acontecer. Ele tomou sua forma, conquistou pessoas, e estamos aí. Daqui uns dez anos, vamos ver o que vem pela frente. 

Você comentou sobre comemorar os dois anos do programa “É de Casa”. Hoje como você avalia a sua carreira? Quais são os próximos projetos?
Do programa, nós estamos super felizes. O que eu tenho feito, é uma biografia sobre a Elza Soares. Eu tenho muito tempo livre, né?! (Risos). Devo entregar esse livro, até o final do ano. Isso se a Elza me ajudar, porque ela não para. Há pouco tempo, ela estava em Nova York. Eu preciso falar com muita gente. É claro que a Elza é o principal, mas você tem um cenário musical, composto por muitas pessoas, são mais de 70. Eu estou quase pedindo pra aumentar o prazo, porque é muita história pra contar. São as pessoas que irão me ajudar a fazer esse retrato. 

Esse é seu primeiro livro?
De biografia sim, mas já fiz muitos de reportagens, do “Fantástico”, sobre “A Volta ao Mundo”, fiz um livro de entrevistas, mas esse é o primeiro grande, que estou escrevendo. Só depende da Elza, mas não será um livro de 50 páginas, isso eu te garanto. Uma mulher dessa?! Imagina. 

E qual será a sua próxima grande viagem?
Acabei de voltar de férias da Etiópia, que eu não conhecia. Aproveitei e fui pra Galapos, também. A Etiópia é um país difícil, não é um lugar de abundância, mas te dá uma sensação de história muito grande. É o berço cristão, a fé, que nós não imaginamos. Em Parme, toda a filosofia é rastafári, e vem da Etiópia, descobri isso lá também. Veio a tribo de Jah, tudo da Jamaica. Essa foi uma viagem totalmente diferente, foi de descoberta. Não é uma viagem de luxo, e nem aventura, como eu já fiz anteriormente, como Madagascar. É um mergulho na história. Ainda vou escrever sobre ela, mas nas redes sociais. Os monumentos são incríveis. Foram construídas umas vinte igrejas de pedra de Lalibela. É impressionante. Fiquei muito emocionado, mas é uma viagem sem conforto. Passei por muita dureza (risos). Eu comi o que tinha. É difícil se acostumar com aquela comida, mas pra mim, é o de menos, comparando com outros lugares (risos). A Etiópia eu tirei de letra. Foi ótimo!

Você comentou sobre o programa fazer dois anos, vocês pretendem comemorar?
Nós comemoramos pouco, porque é um programa que está no ar, toda semana. Quando completamos um ano, fizemos uma festinha, e foi superbacana, porque se firmou. Agora é mais o dia a dia. Estamos num momento muito oportuno, e estamos pensando em 2018. Em breve teremos reunião sobre novos quadros, novas apostas, e discutir sobre o que deu certo esse ano, e o que não deu. Mas posso dizer que é a mesma coisa que no “Fantástico”, nós estreamos todo sábado (risos). 

E vocês se tornaram uma família, praticamente?
Ah sim, nós temos um grupo no whatsapp, e conversamos bastante. Eu acho até clichê falar isso, mas é uma equipe muito unida. De fato, todos nós trabalhamos com recurso super enxuto! Ou trabalhávamos nos entendendo, ou não sairia programa. Nos damos super bem. É uma simbiose muito grande. E eu, só conhecia da turma mesmo, a Patrícia (Poeta) eu fiz novos colegas, o Tiago (Leifert) que já foi dessa pra melhor, mas a Ana (Furtado), o André (Marques) e a Cissa (Guimarães), são pessoas que eu agreguei. 

Você é um bom dono de casa?
Sou um bom cozinheiro. Esse é um segredinho, mas as meninas cozinham bem também. Adoro estar na cozinha, mas sou um pouco bagunceiro, como todo ariano. É difícil eu limpar a cozinha, sou bagunceiro nesse sentido, mas nas outras coisas, sou organizado. Eu tenho duas casas, uma no Rio e outra em São Paulo...  Sou mineiro, e gosto de chamar as pessoas pra minha casa. Recentemente estive em Sampa, pra ver o grupo Corpo, e no domingo, marquei um jantar com os amigos em casa. Fiz um macarrão, mas quem arruma toda a bagunça é a Maria, graças a Deus (risos). No Rio eu tenho a Antônia, que também é meu anjo da guarda. Numa necessidade, até faço, mas passar roupa, por exemplo, acho que não (risos). Daí o jeito é colocar uma roupa que não amassa, uma camisa, um jeans (risos)...

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