Revista Acontece Sul

Claudia Leitte

Por Sem colunista em Diversos - sexta, 23 de fevereiro de 2018

Oano começou a todo vapor, mas mesmo se dedicando ao programa “The VoiceKids”, quais serão seus projetos musicais para o ano, e como você avalia 2017?

Eu acabei de lançar uma música com a dupla “Maiara&Maraísa”, que se chama “Lacradora”, mas a música tem uma pegada Claudinha Leite, porque elas são as minhas convidadas. Eu também fiz um trabalho com a Anitta, mas o lançamento acontecerá mais pra frente, talvez depois do carnaval. Nós ainda não sabemos quando iremos lançar, mas precisa ser uma de cada vez, para não misturar tudo, e atrapalhar a cabeça do povo. 2017, foi um ano sensacional! De muitas mudanças, desconstruções, falando artisticamente e profissionalmente. E pra mim foi superpositivo. Daqui a pouco vou apresentar o resultado disso, porque eu tenho essa possibilidade de mostrar pra todo mundo o que aconteceu durante esse processo, e as pessoas irão ver através das minhas músicas e dos meus clipes que está tudo lindo. Para 2018, é a concretização dessa onda, desse processo de transição, que requer muita paciência. Eu fiz um trabalho lá fora, nos Estados Unidos, e tenho a minha carreira consolidada aqui no Brasil. São 10 anos de sucesso, dedicação, e com um público que reconhece o meu trabalho, que me levou a lugares onde jamais poderia imaginar. E de repente, começar outra coisa lá fora, é muito louco e difícil, mas foi muito poderoso pra mim.  

 

Você pensa em se lançar numa carreira internacional?

Eu acho que não existe esse negócio de se lançar internacionalmente. Quando nós temos intenção de fazer um trabalho bom, o processo é natural e se acontecer, estarei pronta, não acontecendo, estarei muito feliz e realizada também. Sou jovem, quero fazer muitos shows, tenho disposição pra isso, gosto de trabalhar. O meu trabalho segue na direção da minha realização. Eu cansei de fazer show em dia de aniversário, páscoa, natal. Hoje eu me gabo muito das pessoas que estão ao meu lado. Se eu tenho qualquer vitória, eu me esforcei, tenho os meus méritos, sou uma mulher batalhadora, mas o meu marido, trabalhando comigo, minha mãe me ajudando, o meu irmão, minha equipe de profissionais, porque não basta ser só profissional, o cara tem que ter caráter, a minha equipe é show de bola, minha galera cuida de mim, quer me ver vencer. 

 

Esse amadurecimento profissional aconteceu por novas influências no cenário musical?

Não, mas eu já me cercava. Na verdade, é mais interno mesmo. Eu sempre trabalhei muito, então, eu não tinha consciência de que eu estava na minha zona de conforto. Você acorda, e faz tanta coisa num dia, muitas entrevistas, muitos shows, não é uma rotina, mas termina sendo de fato... E isso tudo não faz você ver que está parecido, que está constante. Eu fui mexida por dentro.

 

Mas o que de fato te fez querer recomeçar, num cenário em que você é muito bem-sucedida?

A vida, mas eu só tenho a consciência agora que estou falando com você! Foi um processo natural. Você sempre vai ter esse momento de: “Ok, vou enfrentar novos caminhos, infortúnios, porque certamente virão.” Ninguém aqui é coitadinho, sofrido ou escolhido para não enfrentar os obstáculos. Todo mundo enfrenta desafios na vida! Você escolhe se quer ficar na zona de conforto, ou não. Eu escolhi ir em frente, sem saber que estava indo. Eu tenho isso dentro de mim, gosto de desafios.

 

Do cenário musical, quem mais te influenciou a seguir essa carreira?

Luiz Caldas é um ícone de brasilidade, uma referência pra mim como músico, um dos maiores artistas que eu conheço, ele é lindo, e me influenciou 100%. De tudo que eu recolhi, e eu gosto de soul, r&b, rock in rol, tenho um tio que é roqueiro, louco, o outro que tinha uma banda que se chamava “Bactéria”, então você imagina... Eu tenho influência de todos os tipos, minha mãe tinha disco de vinil do Caetano, do Nilton (Nascimento) de todo mundo, mas o que mais pesa na minha essência, o que mais me vem a mente, é o axé music. 100% música baiana. 

 

Você comentou sobre sua família, o que mais te inspira?

Sou inspiradíssima pela minha família. Ela é tudo que eu tenho nessa vida, tudo de mais sagrado, meu bem precioso, meu melhor presente, dentre todas as benções que eu recebo diariamente, porque me considero uma mulher muito abençoada. Os meus filhos, o meu marido, considero os meus tesouros, minha riqueza, eles me inspiram em tudo que eu faço. Se não fosse eles, acredito que eu não conseguiria fazer nada. É louco a minha rotina, eu cuido de duas crianças, tenho a minha mãe que me ajuda bastante, mas sou mãe também, e tenho que participar da história toda. Consigo paz no meio disso tudo pra criar. Paz é fundamental, eles me dão essa paz, me dão alegria, e minha energia se multiplica. Trabalho, trabalho, trabalho, mas dou conta de tudo, não me sinto cansada, me sinto renovada. 

 

Você está comemorando 10 anos de carreira, e talvez esse fato tenha feito você refletir sobre tudo que aconteceu até aqui. Você costuma fazer um balanço sobre o tempo que passou?

Essa é uma pergunta difícil, mas eu já devo ter respondido inúmeras vezes, mas em resumo eu diria amadurecimento, alegria... Estou buscando outras palavras, mas é muito difícil. Gratidão! Estou fazendo carreira solo, há 10 anos, mas nunca fiz nada sozinha na minha vida. Essa é uma certeza que eu tenho, e uma razão pra eu continuar querendo mais e mais. Eu sei exatamente onde estou, tenho uma equipe massa que trabalha comigo. Sei o que quero fazer. Só consigo me dar conta disso, quando olho ao longo da minha estrada, todos esses anos de carreira solo, o tempo de “Babado Novo”, fazendo essa análise, sou muito exigente, e por conta disso, as coisas têm acontecido, e isso me beneficia, não ou paranoica, mas gosto de ver o show acontecer, quando a música ganha corpo, o cenário está do jeito que eu idealizei, eu cobro todo mundo, e de mim mesma, sou autocritica, mas gosto de mim, não me autoflagelo, só penso assim: ‘Eu poderia fazer melhor, mas poxa, arrasei também’, mais ou menos isso, mas isso me faz feliz. 

 

“Baldin de Gelo” foi um enorme sucesso, você acredita que essa música abriu as portas para essa onda de querer buscar mais?

Foi em 2006, que eu gravei pela primeira vez em espanhol, e em 2007, em reggaeton. O primeiro arranjo, foi “Bola de Sabão”, depois foi a vez de “Cartório” em 2014, que é um reggaeton também. Eu gravei um ano antes com o Daddy Yankke, que gravou “Despacito”. Eu levei para as rádios “Corazon”, e a galera não queria tocar, porque era em espanhol. Foi muito complicado, mas um ano depois, “Despacito” começou a chamar a atenção, e todo mundo olhou para a música latina. Não me sinto responsável por nada, mas eu já sentia antes. Pra mim não é novidade, mas quero fazer algo diferente. Sou uma pessoa inquieta. 

 

Voltando um pouco para o “The Voice”, você saiu do adulto para o infantil, substituindo a cantora Ivete Sangalo. Vocês chegaram a conversar e trocaram algumas figurinhas sobre o programa?

Não deu tempo, porque foi tudo muito corrido. Nós temos uma vida muito doida, mas falamos sobre todos os assuntos, quando nos encontramos, e inevitavelmente falamos de música, do programa, mas nada especifico. Cuidar de criança, não é uma tarefa fácil. Nós temos uma equipe preparadíssima, conectada, de muito profissionalismo, mas acima de tudo, cheia de amor. Sou mãe, então está tudo afinado, não dá trabalho, porque criança requer atenção e cuidado, mas é muito bom fazer. Está tudo certo.

 

Você pretende usar algum critério na hora de virar ou não a cadeira para uma criança?

Pra ser bem sincera, eu não tenho nenhum critério, apenas peço a Deus que dê tudo certo, que eu faça o que ele quer que seja feito, porque todos são talentosos. As crianças são sempre lindas, verdadeiras, espontâneas, elas nos ensinam muito. Eu espero que as pessoas que estejam assistindo, compreendam a maior lição, que é sonhar e não desistir nunca. Parece clichê, mas vamos escondendo no dia a dia. Precisamos ser mais verdadeiros, um com o outro, mais espontâneos. É difícil quando você é mãe, e compartilha o mesmo sonho, porque você se coloca ali. No “Kids”, ao virar a cadeira, me deparo com pequenas grandes vozes. E quem me conhece sabe que eu sou enlouquecida por crianças. Nossa estratégia, é fazer um programa quente, fazer as pessoas se emocionarem em casa, e nós também.

 

Você já percebeu em algum momento que seus filhos também seguirão os seus passos? Eles costumam assistir os programas de músicas?

Os meus filhos adoram os programas, mas eu não os incentivos. Eles são musicais, gostam e cada um tem seu favorito. Davi (7 anos), já tem uma noção maior de palco, cenário, ele é criativo, muito artístico, fala mais da construção cênica, tem um olhar mais aguçado. Rafa (3 anos), é mais parecido comigo, mas não sei se serão cantores, ou até mesmo se trabalharão com isso, até porque eles são muito crianças.

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