Revista Acontece Sul

Quem ganha com isso, o consumidor, o cidadão brasileiro ou os fabricantes internacionais?

Por Setor Automotivo - José Carlos Secco em Economia e Negócios - segunda, 26 de maro de 2012

O ano de 2012 começou e o Brasil manteve a sua posição no ranking mundial do setor automobilístico. Somos o quarto maior mercado consumidor de veículos automotores, com 3,6 milhões de unidades comercializadas, atrás apenas da China, dos Estados Unidos e do Japão. Mas a Alemanha, que em 2010 ficou mais de 218 mil unidades atrás, cresceu 9,4% e encerrou 2011 com apenas 21 mil unidades.
Entre os seis primeiros, com exceção do Japão que caiu 15%, fomos o que menos cresceu – apenas 3,4%. A China aumentou 7%, os Estados Unidos, mais de 10%, a Índia, 6% e a Rússia, extraordinários 38%. E não enfrentamos tsunamis, terremotos e nem acidente em usina nuclear.
O pior é que a nossa produção cresceu menos ainda: somente 0,7% em 2011, com 3,4 milhões de veículos produzidos nas unidades nacionais. E isso porque estamos “nadando de braçada”! Segundo a Anfavea, a restrição ao crédito representou a não venda de cerca de 300 mil unidades, ou seja, cerca de 9% a menos. Para este ano, a previsão não é muito animadora e devemos avançar apenas 1% e fabricar 3,49 milhões.
O pequeno crescimento do ritmo das fábricas nacionais evidencia a evolução dos modelos importados no mercado interno. Enquanto o emplacamento de carros nacionais sofreu retração de 2,8% em 2011, o de veículos trazidos de outros países cresceu 30%. Com isso, os importados já respondem por 23,6% das vendas no país. Entre as cinco empresas que mais importaram veículos estão três grandes montadoras instaladas no Brasil: Fiat, General Motors e Ford, junto com as coreanas Hyundai e Kia.
Ou seja, as montadoras que têm fábrica no Brasil e gozam de taxas de importação menores, aproveitam para colocar mais e mais veículos aqui e concorrer com as marcas que ainda não possuem unidades fabris, mas conquistaram significativa participação com modelos importados, mais equipados, modernos e incrivelmente mais baratos.
O que surpreende é que as montadoras instaladas no Brasil não conseguem competir com os veículos importados que aqui desembarcam, embora as diferenças em relação aos modelos que produzem, são gritantes e sem explicação em termos de conteúdo e também de preço. E fico ainda mais preocupado com o nosso mercado, não o consumidor, mas o produtor. Ele não é o quarto do mundo e nem tem evoluído tão rapidamente quanto o mercado interno consumidor. Também não estamos produzindo carros assim tão mais modernos em relação à velocidade que as montadoras conseguem importar modelos completos e com itens de segurança ativa e passiva (que os nacionais não dispõem) e com preços mais do que competitivos. Refiro-me a um simples sensor de aproximação traseiro ou mesmo ao sinal sonoro de ausência do cinto de segurança afivelado, itens que praticamente não existem em veículos nacionais simples.
Some-se a isso, o mau hábito de algumas das tradicionais montadoras instaladas no Brasil que preferem o velho “truque” de tirar itens para baixar preço e “fazer parecer” que o seu produto é competitivo. Um exemplo negativo é o novo Jetta, que, embora desfrute dos benefícios proporcionados pelo acordo comercial com o México, parte de R$ 65 mil, mas esse automóvel nada tem a ver com o modelo de mais de R$ 100 mil em termos de conteúdo. Outro motor, itens de segurança, acabamento e conforto. A diferença é tão grande que compromete o prestígio que o carro atingiu, pois visualmente as versões são iguais, mas por dentro e por baixo do capô, estão muito distantes. Quase a mesma diferença do antigo Bora para o antigo Jetta.
As questões do Custo Brasil e da ameaça de desindustrialização são importantes e vitais para o setor automotivo brasileiro (e incluo com grande ênfase todas as empresas ligadas à fabricação e ao fornecimento de componentes e autopeças). Mas existem fatores tão importantes quanto estes que têm a ver com a política e com os próprios hábitos dos executivos e empresários do segmento. Só baixar impostos ou criar barreiras para os produtos importados não resolverá o problema, pois continuaremos sem competitividade internacional. O setor precisa pensar também em cativar, conquistar a confiança do consumidor e do cidadão brasileiro para que não sejamos tão facilmente convencidos a optar pelos veículos feitos em outros países, sob o risco de darmos emprego a trabalhadores que não são os nossos.
 
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