Revista Acontece Sul

ECONOMIA

Por Economia - Mauro Corsetti em Economia e Negócios - sexta, 06 de fevereiro de 2015


Os desafios do Sartori

 

Eleito com uma esmagadora maioria sobre o seu adversário, o então governador Tarso Genro, Sartori conseguiu mais do que uma simples vitória. Ele obteve praticamente um forte aval da população do Estado. E, em contrapartida, trouxe também uma grande esperança de que um governador novo, com um currículo de boas realizações na Prefeitura de Caxias do Sul, e com posições sérias e afirmações sem grandes promessas, poderia enfim resolver os graves problemas do Estado. 

Os desafios não são pequenos. O governo anterior fez uma gestão desastrosa na questão das contas públicas, gerando déficit sobre déficit, ano após ano, e terminando o seu mandato com um dos maiores déficits da história do RS. Estimativas indicam que o déficit no final de 2014, deve ter ultrapassado os R$ 5 bilhões, isso mesmo contando com as manobras criativas do então governador, e de um crescimento excelente do PIB, alardeado pelo próprio Tarso como uma grande “conquista” do seu governo (na verdade deveu-se ao crescimento do setor agrícola). Uma das principais, moral e tecnicamente condenável, foi a de ter-se apropriado dos depósitos judiciais (que não pertencem ao Estado, pois estão sub judice) da ordem de R$ 4 bilhões. Estimativas de uma consultoria independente, porém, indicam que o déficit para 2015 pode ser ainda maior, superior a R$ 7 bilhões. 

Sartori começou bem, pregando austeridade e corte nos gastos públicos (embora sua decisão de adiar pagamentos a fornecedores não deixe de ser um calote), o que poderia gerar uma economia de cerca de R$ 600 milhões. Porém cometeu um deslize sério: aprovou polpudos aumentos para ele próprio, deputados, secretários, etc., o que vai gerar uma cadeia de reajustes em várias categorias, onerando sensivelmente o Tesouro do Estado, e contrariando seu discurso de austeridade. Mesmo que os salários nestes níveis (os mais altos no setor público) estivessem defasados há 4 ou mesmo 8 anos, certamente não era o momento para tal medida. Com isso, ele gerou descontentamento na população, e perdeu parte da credibilidade que havia conquistado, o que certamente irá lhe causar mais dificuldades adiante. Recuperá-la é mais um desafio. Entre tantos.

Priorizar a Política sobre a Economia não costuma ser uma boa decisão. A Dilma que o diga...

 

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