Revista Acontece Sul

Alfredo de Verdade

Por Gastronomia - Mateus Nora Ferreira em Gastronomia - sexta, 18 de agosto de 2017

NADA DE CREME DE LEITE. Não existe outra forma de começar a falar sobre o fettuccine Alfredo a não ser com esse comentário, nem presunto, ou bacon, ervilhas, nem cogumelos, ou outras heresias, apenas manteiga e queijo! é assim que se faz um fettuccine al Alfredo. Mas porque uma das receitas mais clássicas e copiadas do mundo afora, quase nunca é apresentada na sua simplicidade original. A cada nova versão que é colocado algum ingrediente a mais, e totalmente desnecessário, me causam mini enfartos, quando na verdade é essa falta de ingredientes que faz a mágica da receita. E não é apenas entusiastas da cozinha que cometem esse pecado, já vi muitos chefs praticarem esse ato por ai.
Reza a lenda que os puristas não consideram ele um prato típico italiano, que foi um prato criado para agradar turistas americanos, apaixonados pelo seu famoso mac’n cheese, e realmente se você der uma volta pelos pontos turísticos badalados de Roma não vai ser difícil achar um fettuccine al Alfredo por perto. Mas sem entrar no mérito do prato ser turístico de mais, ou não, deixar de lhes contar a verdadeira história por traz dessa receita, seria um sacrilégio, pois na minha opinião é um tanto quanto poética.
Um dia em meados de 1908, Alfredo de Lelio, é desafiado a fazer algo para sua mulher Inês que, agora conheço duas versões e não me arrisco a dizer qual é a legitima; estava com anorexia nervosa devido ao nascimento de seu filho ou estava desnutrida por não conseguir comer devido a enjoos da gravidez, colocando assim a vida dela e do filho em risco. Imagine você um cozinheiro (ainda não tinha se tornado chef) e sua mulher doente devido à falta de comida, isso não tem cabimento. Imediatamente, ele desenvolveu algo com um ingrediente que ela adorava, e não teria como negar, uma bela massa com parmesão. Mas não pensem que é aquele parmesão que vocês compram em qualquer mercado, um queijo parmeggiano reggiano, uma obra prima dos queijeiros italianos. Alfredo acendeu o fogão, pegou sua panela, adicionou uma quantidade boa de manteiga, a massa, e um pouco do caldo do cozimento da mesma. Após estar bem quente misturou muito parmesão, se postou ao lado da cama de Inês e a servia na boca, tirada da panela mesmo. Ela adorou. Com o passar do tempo voltou a ter apetite e se curou de sua enfermidade.
Mas a notoriedade chegou muito tempo depois. Sua receita ficou tão boa que ganhou não só o coração de Inês, mas o da sua mãe também, que dirigia um pequeno restaurante na piazza rosa, e entrou para o cardápio. Com o passar dos anos, Alfredo assumiu o negócio e mudou-se para uma região mais turística, próxima da piazza navona, e trocou o nome do estabelecimento. numa noite em 1927, o casal de atores e estrelas de Hollywood, Mary Pickford e Douglas Fairbanks, que estavam em Roma, resolveram jantar no restaurante. Eles passaram uma noite maravilhosa regada de muito vinho e comilança, sendo recepcionados pelo próprio Alfredo, que os adulou a noite toda. O prato que eles mais gostaram, naturalmente, foi o fettuccine inventado pelo chef. Mas não para por aí. Em gratidão àquela noite, os americanos presentearam Alfredo di Lellio com talheres de ouro com seus nomes gravados e iniciava-se assim uma tradição. Desde então, sempre quando uma pessoa vai no Alfredo alla Scrofa e pede um fettuccine Alfredo, na hora que o prato chega à mesa, o garçom vem com um aparador móvel, com a massa no recipiente, e mistura tudo, na sua frente. Detalhe: ele usa sempre uma colher de ouro. Essa tradição e carinho, tanto do chef quanto seus clientes artistas, levou a fama de estabelecimento para hollywood, e assim começou a ser frequentado por artistas de toda a américa, e se cria assim a lenda do FETTUCCINE AL ALFREDO. 

 

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