Revista Acontece Sul

LADO B - Francisco de Assis Spiandorello

em Lado B - sexta, 06 de fevereiro de 2015


Primeiro ele ficou conhecido como o Chico da Caixa. Depois “perdeu” a Caixa, mas ficou mais famoso ainda. Político dos bons tempos, tem histórias muito interessantes para contar

 

 

Francisco de Assis Spiandorello é uma das figuras públicas mais emblemáticas de Caxias do Sul. O Chico, como é conhecido, parecer ser onipresente. Pode ser encontrado tanto despachando em um gabinete como em uma festa comunitária, pode ser visto tanto visitando bairros quanto participando de eventos sociais. É o político do “olho no olho”, que gosta de participar ativamente da vida pública da cidade, de conversar, de ouvir e de atuar. “Sou movido a política 24 horas por dia. O último lugar que vão me encontrar será na minha casa”, disse durante entrevista exclusiva concedida à revista Acontece no final do mês de dezembro passado, ainda bastante empolgado com o prêmio que acabara de receber, o de Administrador Público do Ano (2014), concedido pelo Conselho Regional de Administração do Rio Grande do Sul.  “Foi uma honra receber esse prêmio estadual. Caxias do Sul é uma cidade muito exigente. Em qualquer outro lugar ergueriam estátuas para homenagear quem trabalha tanto como a gente. Mas isso é bom, porque vai deixando a gente mais afinado”, acredita Spiandorello, que aos 72 anos atua hoje como secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Emprego do município.

Spiandorello nasceu em Caxias, em 23 de agosto de 1943, numa época em que Caxias era ainda considerada uma colônia. Foi através dos hábitos rurais que começou a trabalhar, aos sete anos, entregando leite de porta em porta. Assim, o mais velho de seis irmãos começou a ajudar no sustento da família. O pai, Martin Franscisco Spiandorello, era metalúrgico, a mãe, Libera Candiago Spiandorello, era professora. Bastante influenciado por eles e pela avó, Giovana Candiago Ruzzarin, Chico passou a se dedicar ao trabalho e aos estudos de forma simultânea durante o “Colegial”, cursado no antigo Orfanato Santa Teresinha (hoje Escola Madre Imilda), e o “Ginásio”, no qual se formou Técnico em Contabilidade no Carmo. O primeiro emprego com carteira assinada foi na Zambelli & Companhia. O cargo: santeiro.“De santo eu entendo bem. Pode me perguntar o nome de qualquer santo que eu respondo”, brinca. À época, o atelier Zambelli confeccionava e vendia santos de barro e gesso para todo o Brasil, e Chico ajudava na produção. Foi um período importante profissionalmente também porque ali aprendeu como funcionava o comércio. “A Valesca (artesã LudwinaValesca Reis) era grande escultora e me ensinou que para 

vender os santos eles deveriam ter características de cada região do Brasil. Os santos que iam para o Nordeste, por exemplo, eram mais magrinhos e morenos, enquanto que os vendidos aqui na região eram mais encorpados”, lembra Spiandorello. Com a experiência e o passar dos anos, Chico investiuna área de contabilidade e administração. Em 1967, formou-se na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais e, em seguida, concluiu Administração, então um curso recém-criado pela Universidade de Caxias do Sul. 

Até então, Chico não pensava muito em política. Passou em um concurso para a Caixa Econômica Estadual, onde permaneceu de 1963 a 1978, começando como técnico em contabilidade e alcançando o cargo de gerente da agência central de Caxias. Foi quando aconteceu uma guinada para a carreira pública. 

 

O ingresso na vida pública

“Na Caixa fiz muitas amizades, e eu sempre mantive muito vínculo com a área tradicionalista, com círculos de pais e mestrese os movimentos comunitários. Mas nunca havia concorrido a nada. De repente, de forma espontânea, me candidatei a deputado estadual e fui eleito. Talvez tenha sido uma forma natural de atender a uma vocação de meus pais e minha avó, a de atender aos outros, de servir”, recorda. 

Spiandorello elegeu-se deputado (1978-1982) pela extinta Arena, com 23.800 votos. Em 1982, então pelo PDS, reelegeu-se com quase 30 mil votos, permanecendo até 1986, quando decidiu sair da vida partidária e retornar à Caixa, agora como superintende administrativo do Estado. Mas a política não saía dele.Dois anos depois, sem partido, foi convidado pelo prefeito Mansueto Serafini Filho a assumir a Secretariada Habitação, Ação Social eSaúde, onde ficou de 1989 a 1991. “Foi uma experiência incrível, executamos o plano habitacional de Caxias, fizemos cinco mil casas, criamos bairros”, orgulha-se.

Sempre muito bem relacionado, Spiandorello mantinha amizade com o político Mário Covas, por exemplo, que estava fundando o PSDB. Foi filiado a este partido que concorreu como vice-prefeito na segunda gestão do prefeito Mário Vanin (1993-1996). “Foi quando tive a oportunidade de assumir por 50 vezes a prefeitura de Caxias como prefeito interino”. Com a experiência política, Chico passou a concorrer como vereador, e assim permaneceu durante quatro mandatos no legislativo. Mais tarde, voltou à prefeitura como secretário de Urbanismo no governo Sartori.  

 


Contribuição pessoal na política

“Nem sempre podemos contribuir como gostaríamos. Mas acho que fiz todos os esforços possíveis como administrador, planejando e executando trabalhos nas áreas regulamentação fundiária, de urbanismo ede regularização dos bairros. Sempre me cerquei de pessoas que tinham condições de agregar projetos com qualidade. Sempre gostei de trabalhar em equipe e sempre estive presente da manhã à noite nas atividades, me preocupando muito com as pessoas. Também fiz muito plenário, debatendo assuntos da cidade. É preciso ouvir as reinvindicações, as críticas, esse é o grande trabalho”. Assim Spiandorello resume sua contribuição para a política de Caxias. Ele faz questão de citar alguns nomes que o influenciaram em sua jornada na vida pública, entre eles o do ex-governador Sinval Guazzelli e o do papa João Paulo II. 

“Com o Guazzelli aprendi a trabalhar em equipe, a confiar nas pessoas. É claro que se tem de acertar nas pessoas em quem confiar... E com o papa, que foi uma figura espetacular e com o qual tive a honra de estar duas vezes, aprendi a estar presente junto ao povo. O papa viajava o mundo, eu viajo Caxias”, destaca.

Atualmente, Chico se considera um militante do PSDB, e gosta de trabalhar na formação política dos jovens. “A política hoje sofre um processo terrível, está desacreditada devido aos escândalos e à roubalheira. Acredito que precisamos imediatamente de uma reforma política que conduza a um processo depuração dos partidos. Apesar de ninguém hoje querer falar em política, é preciso acreditar em mudanças através dela”, ensina o gestor. “Não existe segredo na atividade pública, é preciso apenas ser transparente, honesto e ter um ideal”, conclui.  

 

A família

Spiandorello reconhece que a vocação para a vida pública e a disposição de “participar de vários eventos ao mesmo tempo” lhe cobraram presença no lar. O pai da psicóloga Fabiana, da advogada Graziela e do publicitário Francisco Ricardo hoje procura estar mais junto dos filhos e da neta, Manuela.“Devo muito à minha esposa (Leoni Maria Siqueira Spiandorello) a condução de nossa família, ela foi a grande mestra nesse sentido, além de sempre ter me apoiado na carreira. A vida passa muito rápido. Tento compensar hoje, estando mais presente da família. Mas me sinto realizado, porque todos estão exitosos em suas carreiras.

Chico deve permanecer ainda por muito tempo na vida pública da cidade, se não como futuro candidato, ao menos com sua influência e experiência política. Quem o conhece sabe que é essa a sua vocação. E quem não o conhece ainda vai conhecer. 

 


 

Causas políticas

Regularização fundiária

Planejamento urbano

Proibição do cigarro em locais públicos e casas noturnas

Preservação da Bacia Hidrográfica do Rio das Antas

 

Filme

Testemunha de Acusação (1957)

 

O que mais gosta de fazer

Participar de compromissos sociais

Ser festeiro

Fazer política 24 horas por dia

Conviver com a família

Torcer para o Esporte Clube Juventude

Estar junto dos confrades

 

Santo padroeiro

São Francisco de Assis

 

Livros

O Monge e o Executivo - Uma história sobre a essência da liderança (James C. Hunter)

Machado de Assis (Ocyávio Mangabeira)

A Babilônia (JoséClemente Pozenato)

O Senhor Embaixador (Érico Veríssimo)

Cartas a Um Jovem Político (Fernando Henrique Cardoso)

 



 

 

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