Revista Acontece Sul

Vinhos - O apaixonante e complicado negócio do vinho

Por Vinhos - Adolfo Lona em Vinhos - sexta, 10 de abril de 2015


Somente os que produzem uvas e vinhos sabem a realidade do negócio. 

Os produtores mais antigos são mais cautelosos, conservadores porque os calos em suas mãos não surgiram por acaso. Os novos investidores, movidos pelo entusiasmo e ânsia de participar do mundo da uva e do vinho, são mais audazes apesar de as vezes possuírem conhecimentos limitados do negócio com um todo.

Porque quem deseja produzir vinhos a partir de vinhedos próprios para comercializá-los no mercado interno ou exportá-los, precisa entender que cada uma das variáveis, uva-vinho-comercialização, estão intimamente ligadas e não funcionam separadas ou desconectadas.

A realidade é que a vitivinicultura é movida pela paixão, mas impulsionada pela técnica, pelo conhecimento, pela experiência. 

A viticultura representada  pelas figuras simétricas que formam um manto verde, enche os olhos despertando emoções mas esconde um desafio monumental que exige paciência, esforço e tempo para vencê-lo. Os grandes vinhos não surgem por acaso. São resultantes de uvas bem tratadas, maduras, sadias, perfeitas para o tipo de vinho aos qual se destinam.

A videira é uma trepadeira que cresce em qualquer cantinho de terra mas não se engane: ela gosta de sol, de frio, de luz, de água mas é sensível aos excessos ou falta de qualquer um deles.

Não gosta nem precisa de alimentos em excesso, prefere a austeridade, a pedra, o calcário. 

É delicada, vulnerável, sensível. Ao menor descuido fica doente, fraca, não consegue produzir bem. 

Um detalhe: cada variedade é diferente da outra e por isso saber cultivar uma não significa entender de todas.  Conhecer um pouco de viticultura então, exige anos de experiência, de atenção, de humildade e em especial de paciência, todo erro de hoje pode-se corrigir amanhã.

A vinicultura representada pela penumbra das caves onde repousam as barricas num ambiente absurdamente envolvente e romântico, também esconde desafios gigantescos que iniciam na postura produtiva: a de curto prazo onde as técnicas modernas como o uso de chips e equipamentos como osmose inversa, micro oxigenação e outros substituem o tempo e possibilitam vinhos mais padronizados ou a tradicional onde a procura da tipicidade não tem  prazo mas tem fim: vinhos únicos, com caráter.

Dar-se-á melhor aquele que não forçar a natureza: cada região tem condições naturais para produzir melhor, um determinado tipo de vinho. Para dar um exemplo cito a Cabernet Sauvignon, uva que apesar de ter um apelo comercial importante, não é a mais adequada para a maioria das regiões brasileiras.

Após implantado o vinhedo, construída a cantina e elaborados os vinhos dá inicio a etapa mais difícil e complicada: a comercialização. A oferta de vinhos no mercado interno é tão variável e a presença dos importados tão importante que somente produtos de alta qualidade e preços competitivos tem alguma chance. Mas não basta ter o produto, é necessário criar uma rede de distribuição que possibilite chegar aos consumidores da maior número possível de praças, com agilidade. Definir o posicionamento de preço de cada produto e mantê-lo é outro desafio. É necessário decidir em que prateleira queremos ver nossos produtos: na de baixo preço onde as grandes vinícolas nacionais e estrangeiras brigam geralmente em supermercados, na de preços intermediários em lojas especializadas, mas seletiva e segura ou na de preços altos onde competem importados de prestigio e dão pouco resultado desde o ponto de vista de volume? 

Parece pouco? Pense na gigantesca, injusta e inútil carga tributária que penaliza todos com pagamento de altos impostos antecipadamente. Você financia os governos.

Se ainda assim você insiste em permanecer produzindo, seja bem vindo ao apaixonante, romântico, envolvente, complicadíssimo e estressante mundo da vitivinicultura. 

 

Comentários