Revista Acontece Sul

O consumo de vinhos no Brasil

Por Vinhos - Adolfo Lona em Vinhos - quarta, 13 de julho de 2016

Devido ao fato de que o Brasil não é um país tradicionalmente vitivinícola, o consumo permanece muito pequeno e nada indica que será possível reverter esta tendência. 
A meu modo de ver, há uma leitura errada da situação. Somente um esforço gigantesco em divulgação poderá resultar em aumento de consumo.
Os números de volumes comercializados mostram a realidade. 
A população total em 2015 era de 204 milhões e, segundo o IBGE, já está em algo mais de 206 milhões.
Se excluímos aproximadamente 64 milhões de pessoas com idade inferior a 18 anos, chegaremos a um número de brasileiros APTOS A BEBER de 140 milhões (veja quadro).
Podemos fazer cálculos selecionando mais a população, mas a verdade continua igual, o consumo é ínfimo.
O consumo de vinhos comuns na maior parte doces, feitos com uvas americanas é mais do dobro dos de castas europeias e quase 60% do total. 
O desafio então é duplo: aumentar o consumo e conseguir que este consumidor migre para os vinhos secos finos.
Como fazê-lo se a falta de tradição, hábito e cultura trazem consigo alguns fatores que dificultam a propagação do consumo?
Como fazê-lo se a vitivinicultura é importante só regionalmente, não a nível nacional, impacta pouco e desempenho do país e por isso nenhum governante se preocupa por ela?
Como fazê-lo se o vinho é considerado um artigo supérfluo e por isso a cadeia produtiva tem uma carga tributária obscena? 
Porque apesar de todos estes fatores negativos há inúmeros positivos.
Porque o consumidor de vinhos brasileiro, contrariamente ao dos países tradicionais que herda o hábito, começa em idade adulta, é uma opção consciente, racional/emocional.
Porque o consumidor logo se apaixona, se envolve, é extremamente curioso, quer saber, quer aprender e progride, educa seu paladar constantemente e não abandona mais este “novo hábito”
Que preocupa que 82% dos vinhos finos comercializados sejam importados? 
Sim, mas temos de reconhecer que estes vinhos contribuíram e contribuem para o consumo.
Sim, mas o fato de que 80% dos espumantes comercializados sejam nacionais é uma prova que o problema é confiança, não preconceito que é mais difícil de combater.
O vinho, sem considerar a estúpida carga de impostos que deve ser sempre combatida, passa por momentos bons.
Ganha a imagem de bebida saudável e gastronômica, é considerado benéfico à saúde.
Ganha espaço na mídia espontânea (colunistas, blogueiros, site)
Ganha o apoio de entidades defensoras: SBAVs – ABSs – Confrarias, Clubes, etc.
Recebe apoio através de ações como Feiras, Circuitos, Exposições, Degustações promovidos pelo IBRAVIN
Oferece uma enorme oferta de vinhos de todas as origens e tipos a preços competitivos.
Aumenta constantemente a presença em todos os canais de distribuição como Supermercados, varejos, distribuidores, bares e restaurantes.
A figura do vinho nacional se “humaniza” com o surgimento de cantinas familiares, pequenas, artesanais, que mostram o rosto da produção.
A figura do vinho nacional se fortalece com surgimento de novas regiões produtoras através das quais aumenta a oferta e variedade de vinhos, a representatividade e força do setor e a área de influência da uva e do vinho.
Pelas razões expostas é fácil afirmar que podemos conseguir que o consumo de vinhos cresça e de forma mais acelerada. 
Mas isso será possível somente se produtores nacionais e estrangeiros:
- Se unem em ações focadas no benefício do vinho como INSTITUIÇÃO.
- Juntam recursos financeiros oriundos das vinícolas, das entidades e dos governos para promover uma Campanha de divulgação e promoção massiva, continua, inteligente, bem planejada.
- Juntam esforços para conseguir a diminuição da carga tributária que onera os produtos e penaliza as vinícolas. 
- Conseguem trabalhar juntos evitando a concorrência predatória, estimulando a produção de vinhos de boa qualidade a preços convidativos.

Tudo continuará igual se não houver um esforço em abandonar posturas arrogantes e infrutíferas. Somente a união total entre produtores locais, estrangeiros e importadores tornará realidade o aumento do mercado consumidor de vinhos e espumantes. Assim todos crescerão.  

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